A divisão acontece quando não somos mais capazes de suportar as diferenças, porque queremos o mundo do nosso jeito, da nossa forma, da nossa maneira de pensar. Nós, muitas vezes, somos usados pelo mal e usamos o mal para semear a separação e a divisão no meio de nós.
”Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra” (Lc 11,17).
A Palavra de Deus, hoje, nos dá a condição para vermos a ação do demônio no meio de nós; melhor ainda: a ação do diabo, ele é o ”diabolus”, aquele que divide, separa; aquele que não é a favor do que é unido e estável. Ele dividiu o Reino de Deus, separando-se dos anjos que fizeram a vontade do Senhor; a missão do diabo no mundo é justamente esta: lançar a divisão e a separação.
Vivemos em um mundo dividido pela desigualdade, vivemos em um mundo dividido por limites geográficos, políticos e por tantas outras coisas. Mas a grande divisão não é esta, a grande divisão é aquela que está no fundo do coração humano, fruto do orgulho e da autossuficiência. Fato que leva, muitas vezes, o ser humano a acreditar que é melhor do que o outro, que é mais importante do que o outro e que pode mais do que o outro.
A divisão nos leva a nos acusarmos uns aos outros, colocando a culpa neste ou naquele e, então, não somos mais capazes de operar a conciliação e a reconciliação. Basta ver como se dividem nossas casas e nossas famílias; não estou falando de divergências e de diversidades de opinião e de expressões de vida, que são coisas saudáveis e maravilhosas, pois, na mesma casa, um pode pensar de um jeito, outro de outro; o marido pode ver de uma forma e a mulher de outra. Isso não é a divisão a que me refiro.
A divisão [causada pelo mal] é quando um se põe contra o outro, quando um não é mais capaz de conviver com o outro; quando não somos mais capazes de suportar as diferenças, porque queremos o mundo do nosso jeito, da nossa forma e da nossa maneira de pensar. Nós, muitas vezes, somos usados pelo mal e usamos o mal para semear a separação e a divisão no meio de nós.
A divisão, muitas vezes, tenta reinar na Igreja, na casa de Deus, por intermédio dos grupos e das lideranças que, muitas vezes, estão à frente de nossa Igreja. E já vimos muita coisa de Deus se acabar, se destruir, não porque Deus quisesse, mas por causa da divisão e da desunião humana. Já vimos esse mal em nossas casas, em nossas famílias; por isso, precisamos pedir perdão a Deus por todas as vezes em que nos deixamos levar pelo espírito da divisão, pelo espírito da discórdia e, por todas as vezes que somos levados por este mesmo espírito a semear a discórdia, a divisão e a separação no Reino de Deus e entre os irmãos.
A maçonaria tem uma origem difícil de ser comprovada. Alguns afirmam
remontar ao tempo anterior ao dilúvio de um tal Jabal, construtor
contratado por Caim e Enoch. Jabal ensinou uma arte secreta para
trabalhar com lâminas de ouro. Esses conhecimentos chegaram a Abraão,
por meio de quem seriam transmitidos aos egípcios. Estes os transmitiram
aos Judeus, que alcançaram o seu apogeu na construção do templo de
Salomão. Depois da destruição do templo, o conhecimento teria passado
para os cristãos. Os depositários desses segredos seriam os "quatro
santos coroados" e Santo Albano na Inglaterra, o qual com a ajuda do rei
Athelstan os teria codificado.
A maioria dos estudiosos não aceita essa primeira origem, ela é
considerada um tanto fantasiosa. Admite-se que a origem remota da
maçonaria moderna (franco-maçonaria = pedreiros livres) desenvolveu-se a
partir das organizações medievais que agrupavam arquitetos, mestres-
de- obras e pedreiros, os quais, por construírem castelos e igrejas eram
considerados espiritualmente nobres.
Tinham como meta construir a
liberdade e a tolerância e o aperfeiçoamento da humanidade. Professavam a
existência de um Principio Criador, sob a denominação de Grande
Arquiteto do Universo.
A maçonaria, conforme é conhecida até os nossos dias, foi criada em 24
de junho de 1717, como a fundação da Grande Loja da Inglaterra. Surgiu
da iniciativa dos pastores protestantes ingleses James Anderson e J. T.
Desaguliers. No ano de 1723, Anderson elabora a primeira Constituição
maçônica. A partir de então a maçonaria adotou uma forma de organização
política que deveria conservar daí por diante.
Durante o século XVIII
surgiram lojas na Europa e na América. Com o tempo os maçons
tornaram-se anticlericais, sendo por isso, excomungados pela Igreja
Católica (1738). Após a cisão que resultou na fundação do Grande
Oriente, na França, em 1773, a maçonaria alcançou o apogeu, tendo
importante papel nos acontecimentos da Revolução Francesa.
A maçonaria tem como principio professar as mais diversas religiões.
Como no Brasil a grande maioria dos brasileiros é cristã, adota-se a
Bíblia como livro da lei. Em outra nação, o livro que ocupa o lugar de
destaque no Templo poderá ser o Alcorão, o Tora, o livro de Maomé, os
Vedas etc., de acordo com a religião de seus membros.
Em 24 de abril
de 1738, o papa Clemente XII escreve a encíclica IN EMINENTI, em que
condenou abertamente pela primeira vez a maçonaria. A partir dessa
palavra oficial da Igreja foi proibido aos católicos pertencer á
maçonaria.
Nos séculos seguintes inúmeros papas confirmaram essa mesma posição por meio de diferentes documentos:
Benedicto XIV, Providas, 18 de maio de1751.
Pio VII, Ecclesiam a Jesu Chisto, 13 de setembro de 1821.
LeãoXII, Quo Graviora, 13 de março de 1825.
Pio VIII, Traditi Humilitati, 24 de maio de 1829.
Gregório XVI, Mirari Vos, encíclica, 15 de agosto de 1832.
Pio IX, Qui Pluribus, encíclica, 9 de novembro de 1846.
Leão XIII, Humanum Genus, encíclica, 20 de abril de 1884.
Leão XIII, Dall Alto Dell Apostólico, Seggio, encíclica, de 15 de outubro de 1890.
A
encíclica HUMANUM GENUS, escrita por Leão XIII, é um das mais fortes e
extensas no que diz respeito a indicar os erros da maçonaria e sua
incompatibilidade com a doutrina cristã.O papa ensina, nessa encíclica,
que a Igreja católica e a maçonaria são como dois reinos em guerra.
Entre os pontos principais apresentados por Leão XIII sobre os erros da maçonaria, destacam-se:
A finalidade da maçonaria é destruir toda ordem religiosa e política do
mundo inspirada pelos ensinamentos cristãos e substituí-las por uma
nova ordem de acordo com suas idéias.
Suas idéias procedem de um
mero "naturalismo". A doutrina fundamental do naturalismo é a crença de
que a natureza e a razão humana devem guiar tudo.
A maçonaria apresenta -se como religião natural do homem. Por isso afirma ter sua origem no começo da história da humanidade.
O conceito de DEUS é diferente daquele apresentado na Bíblia e na
doutrina católica. Para a maçonaria, DEUS é um conceito filosófico e
natural. DEUS passa a ser a imagem do homem. Por isso, não existe uma
clara distinção entre o espírito imortal do homem e DEUS.
A maçonaria nega a possibilidade de DEUS ter ensinado algo.
Não aceita ser entendida pela inteligência humana.
A maçonaria estimula o sincretismo religioso, isto é, a mistura das mais diferentes crenças.
A maçonaria compara a Igreja católica a uma seita.
Em 1917, no antigo CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO (lei oficial da igreja), a maçonaria foi comparada explicitamente:
CÂNON
2.335: Pessoas que entram em associações da seita maçônica, ou outra do
mesmo tipo que conspire contra a Igreja e a autoridade civil legítima,
recebem excomunhão simplesmente reservada á Sé Apostólica.
Em 17 de
fevereiro de 1981, a Sagrada Congregação para a doutrina da fé divulgou
uma orientação para os católicos sobre a maçonaria, em que reafirma a
posição tradicional da Igreja.
O Código de Direito Canônico atual,
publicado em 1983, não fala de modo explícito da maçonaria, somente dá
uma orientação geral contra esse tipo de associação:
CÂNON 1.374:
Quem der nome a uma associação, que maquine contra a igreja, seja punido
com justa pena; quem promover ou dirigir tal associação seja punido com
interdito.
Por não falar da maçonaria, alguns católicos,
pensaram que esse cânon não se aplicasse a ela. Surgiu um impasse: teria
acabado a proibição para os católicos participarem das lojas maçônicas?
Para esclarecer essa dúvida, em 26 de novembro de 1983, a Sagrada
Congregação para a Doutrina da Fé publicou a Declaração sobre as
Associações maçônicas, QUAESITUM EST:
"Foi perguntado se mudou o
parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo fato de que no novo
Código de Direito Canônico ela não vem expressamente mencionada como no
Código anterior.
Esta Sagrada Congregação quer responder que tal
circunstância é devida a um critério redacional seguido também quanto ás
outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão
compreendidas em categorias mais amplas.
Permanece, portanto,
imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações
maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados
inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a
inscrição nelas. Os fiéis que pertencem ás associações maçônicas estão
em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.
Não compete ás autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a
natureza das associações maçônicas com juízo que implique derrogação de
quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração
desta Sagrada Congregação, de 17 de fevereiro de 1981"( cf. AAS
73,1981,pp. 240-241).
O Sumo Pontífice João Paulo II, durante
audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente
declaração, decidida na reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e
ordenou a sua publicação.
Roma, da Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 26 de novembro de 1983.
Joseph Card. Ratzinger.
PREFEITO
Fr. Jérôme Hamer, O.P.
SECRETÁRIO.
Tentaram pôr, no coração de João Batista, o sentimento da inveja.
Durante o ministério de Jesus, enquanto o povo o seguia, os discípulos
de João o questionavam. No entanto, o profeta, negando a possibilidade
do ódio, respondeu:
Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do céu. Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante Dele.
Aquele que tem a esposa é o esposo. O amigo do esposo, porém, que está
presente e o ouve, regozija-se sobremodo com a voz do esposo. Nisso
consiste a minha alegria, que agora se completa. Importa que ele cresça e que eu diminua. (Jo 3, 27-30)
A humildade representada nas palavras de São João Batista mostrava para
quê aquele profeta viria. A finalidade da missão de João Batista não era
a de dar glória a si mesmo, mas a de anunciar a Jesus Cristo. E essa
missão, o próprio Jesus nos ensinou, exige a renúncia. “Se alguém quer
vir após mim, renegue-se a si mesmo” (Lc
9,23). Aquele que quer seguir a Jesus Cristo não pode fazer a própria
vontade, tem que sofrer assim como ele o fez, tem que começar a buscar a
perfeição em suas atitudes relacionando essa qualidade com a Lei de
Cristo e não com a sua consciência. São Luís de Montfort, assumindo a
voz de Cristo, proclama:
“Se alguém, portanto, quiser me seguir tão humilhado e crucificado, deve
se gloriar, como eu, somente na pobreza, humilhações e sofrimentos de
minha Cruz. Renuncie a si mesmo. Excluídos estão da companhia
dos Amigos da Cruz o sábio mundano, os intelectuais e os céticos
vinculados a suas próprias idéias e inflados com seus próprios talentos”
(Carta aos Amigos da Cruz, 17).
Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do céu.
São João Batista quer dizer: ninguém fique procurando aumentar suas
glórias ou suas qualidades; ninguém queira ser o que não é. Não fiquemos
procurando aumentar a nossa imagem diante do mundo. Isso é inútil. Não
gera recompensa alguma. É possível inclusive fazer uma analogia com um
ensinamento do Mestre: Ele assinalava que, quando formos realizar boas
atitudes, não precisamos fazê-las na frente dos homens para que todos
vejam. “O Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á” (Mt 6,4).
João veio ao mundo para anunciar Jesus Cristo. Nada mais que isso. Ele
não buscou fazer de si uma imagem superior àquela que lhe foi dada.
Obedecendo a exortação paulina (cf. 1 Cor 7,17), permaneceu no estado em que o Pai o chamou. Ele ia falar. Mas as palavras não eram dele. Eram de Cristo.
A beleza do profeta está nisso. Ele não
anuncia, não promove a si mesmo, mas ao próprio Deus porque Este o
chamou para aquela missão. E interessante é que aquele não busca mais
missões. Pelo contrário, busca exercer com qualidade o chamado de Deus.
Não quer fazer muitas coisas ao mesmo tempo, pois sabe que ninguém pode atribuir-se a si mesmosenão
a missão que lhe é confiada. Por isso São João diz: Eu não sou o
Cristo. O profeta fiel não pode mentir. Não importa se o seu sucesso é
grande e se ele é seguido por muitos. Ele precisa assumir o compromisso
com a verdade da missão que Deus lhe deu. E ele não era
o Cristo. Por isso, quando os seus seguidores vêm lhe dizer que Jesus
está batizando muitos e coisas mais, São João sabiamente proclama:
“Importa que ele cresça e que eu diminua”.
Veja: João Batista veio justamente para
proclamar Jesus Cristo. Ele não podia exaltar a si mesmo. A sua missão
era a mesma que São Paulo exercia: “Eu vivo, mas já não sou eu” (Gl 2,20).
João Batista vive, mas não é ele. Nós vivemos, mas não somos nós. A
beleza do cristianismo é justamente essa: eu preciso renunciar a mim
mesmo, como Cristo, para que ele possa crescer em mim: “É Cristo que
vive em mim” (Gl 2,20). Se eu vivo em mim e Cristo também, então existe uma batalha
entre a minha vontade e a de Deus. O que eu preciso? Fazer crescer
Jesus e esquecer-me de mim. Importa que Jesus cresça. É essa aquela
batalha que São Paulo tanto falava em suas cartas: a carne contra o espírito. O meu espírito pode até estar pronto, mas a carne é fraca. É preciso orar
para que Jesus cresça, ou seja, meu espírito, que está sob o domínio do
Senhor, tenha vontade maior sobre as minhas atividades. E que a minha
carne se mortifique e sua vontade em mim diminua.
Aprendendo com São João, em nossa vida travamos essa mesma luta. Mas queremos sempre dizer com São Paulo: é Cristo que vive em mim.
Porém isso é difícil. Seremos provados. Temos que ser fortes.
Fortifiquemo-nos e façamos crescer em nós o espírito de Cristo.
Esqueçamo-nos de nós mesmos. Esse corpo, no qual vivemos, experimentará
corrupção. Preocupemo-nos, acima de tudo isso, com a nossa alma. Essa
irá ou para o céu ou para o inferno. Se Cristo em mim for maior,
desfrutarei da vida. Se não, desfrutarei da morte, da morte eterna.
Antes de começar a ler este texto, dê um play neste video e vai ouvindo o que Deus acha de tudo isso, então, comece a ler o texto, enquanto escuta.
Uma das partes mais difíceis da vida cristã é o fato de que se tornar um
discípulo de Cristo não nos torna imunes a provações e tribulações da
vida. Por que um Deus bom e amoroso permite que passemos por coisas como
a morte de uma criança, doenças e ferimentos a nós mesmos e nossos
entes queridos, dificuldades financeiras, preocupação e medo?
Certamente, se Ele nos amasse, Ele tiraria todas essas coisas de nossas
vidas. Afinal, amar não significa que Ele quer que nossas vidas sejam
fáceis e confortáveis? Na verdade, não, não significa. A Bíblia ensina
claramente que Deus ama aqueles que são Seus filhos, e que todas as
coisas "cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8, 28).
Então, isso deve significar que as provações e tribulações que Ele
permite em nossas vidas fazem parte de tudo que coopera para o nosso
bem.
... para que ninguém seja abalado por estas
tribulações, porque vós mesmos sabeis que para isto, fostes destinados. (1 Ts. 3, 3)
... dizendo que, por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus ".
(At 14, 2)
As Escrituras falam de três categorias principais de "dificuldades" para
aquele que crê:
1) disciplina, julgamento ou reprovação do Senhor;
2)
testes, provações, e sofrimento; e
3) tentações ou ataques de Satanás.
Então este problema atual é a mão do Senhor em repreensão direta, a
provação de nossa fé prometida, ou será que estamos sendo enganados por
Satanás? Nós deveríamos saber para podermos responder adequadamente.
Bem-aventurado é o homem que suporta a provação, porque
depois de aprovado, receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos
que o amam. (Tg 1, 12)
Pois vejamos o que dizem as escrituras:
Queridos amigos, não se surpreendam da provação
dolorosa a qual estão sendo submetidos, como se algo estranho estivesse
acontecendo com vocês. Mas, alegrai-vos por estarem participando nos
sofrimentos de Cristo, de forma que você pode ser jubiloso quando a
glória dele for revelada. (
1 Pd. 4, 12-13)
Lembrem-se de como o Senhor Seu Deus os conduziu por
todo o deserto nestes quarenta anos, para os humilhar e os provar de
forma a saber o que estava em seus corações, se manteriam os seus
mandamentos ou não. Ele os humilhou... para ensinar que o homem não vive
só de pão, mas de toda palavra que vem da boca do Senhor. (Dt. 8,2-3)
Depois disso, Deus provou Abraão, e disse-lhe: “Abraão!” “Eis-me aqui”, respondeu ele. Deus disse: “Toma teu
filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaac; e vai à terra de Moriá,
onde tu o oferecerás em holocausto sobre um dos montes que eu te
indicar.” (Gn 22, 1-2)
Moisés disse ao povo: Não temam! Deus veio prová-los, de forma que Seu temor venha impedi-los de pecarem". (Ex. 20, 20)
Louvem ao nosso Deus, ó povos, deixem o som de seu
louvor ser ouvido; ele preservou nossas vidas e impediu nossos pés de
deslizarem. Pois tu, ó Deus, nos provou; o Senhor nos refinou como a
prata. Nos trouxe à prisão e pôs fardos em nossas costas. O Senhor
deixou homens montarem em cima de nossas cabeças; nós passamos por fogo e
água, mas o Senhor nos trouxe para um lugar de abundância.
(Sl.66, 8-12)
Então, pensem comigo...
Um homem faz uma coisa boa quando ele suporta dor,
com uma consciência clara direcionada a Deus, mesmo que ele saiba que
está sofrendo injustamente. Afinal de contas, não é nenhum crédito se
você é paciente e suporta um castigo que você mereceu justamente! Mas se
você faz seu dever e é castigado por isto e ainda pode aceitar tal
coisa pacientemente, você está fazendo algo que vale a pena à vista de
Deus. Realmente esta é sua vocação. Pois Cristo sofreu por você e lhe
deixou um exemplo pessoal, de forma que você pudesse seguir Seus passos.
Ele não era culpado de nenhum pecado... Ainda assim, quando foi
insultado, ele não devolveu nenhum insulto. Quando ele sofreu, ele não
fez nenhuma ameaça de vingança. Ele simplesmente entregou sua causa ao
que julga razoavelmente. (1 Pd. 2, 19-23)
O sofrimento é o custo do discipulado, vejam:
"Se o mundo lhe odeia, lembre-se que me odiou
primeiro. Se você pertencesse ao mundo, ele o amaria como a seu
próprio... Lembre-se das palavras que eu lhe falei; "Nenhum servo é
maior do que o seu mestre". Se eles me perseguiram, eles também o
perseguirão". (Jo 15, 18-20)
Uma vez que Cristo sofreu dor física, você tem que se
armar com a mesma convicção interior que ele teve. Ser livre do pecado
significa sofrimento físico, e o homem que aceita isto gastará o resto
de seu tempo aqui na terra, não sendo conduzido por desejos humanos, mas
fazendo a vontade de Deus.
(1 Pd. 4, 1)
Na verdade, todo aquele que quiser viver uma vida
religiosa em Cristo Jesus será perseguido, enquanto os homens maus e os
impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. (2 Tm. 3, 12)
"... Na realidade, está vindo um tempo quando qualquer
um que os mate pensará que está fazendo um serviço a Deus. Eles farão
tais coisas porque eles não conheceram o Pai ou a mim. Eu lhes contei
isto, de forma que quando o tempo vir, você se lembre de que eu os
adverti..." (Jo 16, 2-4)
... mas alegre-se
... É verdade que neste momento, eu (Paulo) estou
sofrendo... ainda assim eu me alegro, porque me dá uma chance para
contribuir em meus próprios sofrimentos com algo para as dores
incompletas que Cristo sofre em nome de Seu corpo, a Igreja. (Cl. 1, 24)
Não só assim, mas nós também regozijamo-nos em nossos
sofrimentos, porque sabemos que o sofrimento produz perseverança; a
perseverança, caráter; e o caráter, esperança. E a esperança não nos
desaponta, porque Deus despejou Seu amor em nossos corações pelo
Espírito Santo, a quem ele nos deu. (Rm 5, 3-5)
Eu creio que o que nós sofremos nesta vida nunca pode ser
comparado à glória, que ainda não foi revelada e que está esperando por
nós... (Rm 8, 18)
... em face ao sofrimento... não desperdice sua
confiança; ela será recompensada ricamente. Você precisa perseverar de
forma que quando você tiver feito a vontade de Deus, você receberá o que
ele prometeu. Por que em um pouco mais de tempo, "Aquele que está vindo
virá e não tardará. Mas o meu justo viverá pela fé. E se ele se
desviar, eu não ficarei satisfeito com ele". Contudo, nós não somos
desses que se desviam e são destruídos, mas dos que acreditam e são
salvos. (Hb. 10:32,35-39)
Se, porém, padecer como cristão, não se envergonhe; pelo contrário, glorifique a Deus por ter este nome. Porque vem o momento em que se
começará o julgamento pela casa de Deus. Ora, se ele começa por nós,
qual será a sorte daqueles que são infiéis ao Evangelho de Deus? E, se o justo se salva com dificuldade, que será do ímpio e do pecador? Assim também aqueles que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem as suas almas ao Criador fiel, praticando o bem. (1 Pd. 4, 16-19)
Sabe o que Jesus pensa disso ?
"Eu conheço as tribulações pelas quais vocês passaram, e quão pobres vocês são - entretanto vocês são ricos "! (Ap. 2, 9)
Não tenha medo do que você está a ponto de sofrer. Eu
lhe digo, o diabo porá alguns de você em prisões para os testarem, e
vocês sofrerão perseguição durante dez dias. Seja fiel, até mesmo ao
ponto da morte, e eu lhes darei a coroa da vida". (Ap. 2, 10)
"Eu lhes digo, meus amigos, não tenham medo dos que
podem matar o corpo e nada além disso. Mas eu lhes mostrarei a quem
vocês devem temer: Tema aquele que, depois de matar o corpo, tem o poder
para o lançar a alma no inferno. Sim, eu lhes digo, temam a ele". (Lc 12, 4-5)
"Porque você manteve meu mandamento de suportar
tribulações, eu o manterei seguro na hora da tribulação que virá sobre o
mundo inteiro..." (Ap. 3, 10)
No
Credo, a frase: "Na Comunhão dos Santos", vem após "Creio na
Santa Igreja Católica", existindo uma boa razão para esta seqüência,
porque uma é extensão da outra.
Todos
os que estão no céu, canonizados ou não, isto é, os conhecidos e os
desconhecidos, naturalmente participam da vida de Deus ainda mais diretamente do
que nós. Assim, quando falamos da comunhão dos santos, não nos referimos
simplesmente a ligação (comunhão) de um cristão com outro na terra, mas de
nossa ligação com antigos membros da Igreja na terra e que agora estão no
céu.
O Corpo Místico da Igreja é formado pela:
IGREJA
MILITANTE, que somos nós, a
IGREJA PADECENTE, os que estão no purgatório e a
IGREJA TRIUNFANTE, os que estão no céu.
As
almas que deixaram a terra e estão destinadas ao céu talvez tenham de se
submeter à purificação no purgatório, antes que possam atingir sua meta.
Estas também são santas, e estão em comunhão com o resto da Igreja.
Existe
uma estreita ligação entre os membros da Igreja Militante e a maneira como as
boas ações de um, beneficiam todo o resto.
São
Paulo escreveu muito claramente sobre a importância do oferecimento de
orações em benefício uns dos outros. Também é desta maneira que estamos em
comunhão com a Igreja Triunfante. Os grandes méritos que os santos obtiveram,
muito além das necessidades da sua própria salvação, fazem parte do tesouro
da Igreja que pode ser aplicado em favor dos que ainda estão em luta aqui na
terra.
Se, como diz São Paulo, nós na terra podemos orar em benefício uns dos outros
com tal efeito, é evidente que os santos no céu, muito mais próximos de Deus
do que nós podem orar e interceder por nós com poder ainda maior.
Existem
fora da Igreja Católica os que fazem objeção a esta idéia. Eles dizem que
Cristo receberá nossas preces diretamente e que é um desrespeito a Ele sugerir
que precise de alguém para lhe levar os nossos pedidos. Isso, em parte, resulta
de uma incompreensão.
Os
católicos não acreditam que os santos, ou qualquer outra pessoa, tenham poder
por si mesmo, porém somente na medida em que Deus lho dá. Também acreditamos
que podemos, na realidade, aproximar-nos diretamente de Deus, como mostra
claramente a principal oração da Igreja: a Santa Missa.
Mas
lembramo-nos como Deus estava disposto a salvar Sodoma por amor de apenas dez
homens justos, se os pudesse encontrar na cidade e como São Tiago tornou claro
que as orações dos bons são do mais alto valor (Tg 5,16).
É
uma questão de humildade acreditarmos que Deus ouvirá a prece dos pecadores
mais facilmente quando forem apresentadas pelos seus amigos mais íntimos. Nossa
comunhão com as almas do purgatório vem do fato de que por si mesmas elas nada
podem fazer para terminar seu tempo de purificação. Seguindo a orientação da
Bíblia de que "era um pensamento santo e saudável orar pelos mortos, para
que fossem livres dos seus pecados" (II Mac 12,48), esperamos que nossas
preces, e particularmente a Santa Missa possam ser aplicadas para abreviar seu
tempo de purificação. E podemos ter certeza de que aqueles que chegaram mais
depressa no céu, em virtude das nossas orações, não demorarão apagar sua
dívida como membros da Igreja Triunfante.
Naturalmente,
o maior de todos os santos é Maria, a mãe de Deus. Sua intimidade com seu
filho dá a seus pedidos um poder que não é excedido por qualquer outra pessoa
no céu. A Igreja a vê prosseguindo em sua grande colaboração na Redenção
iniciada há mais de dois mil anos, pelas suas orações em benefício dos que
ainda estão na terra. Se os santos, que também foram pecadores, conseguiram
obter méritos extraordinários que podem ser aplicados a nós, quanto mais
Nossa Senhora, que é livre de pecado.
Recorramos
a Virgem Maria, para que, por sua intercessão e prece, vivendo nesta vida de
Igreja Peregrina a comunhão com Seu amado Filho no Augusto Sacramento do Altar,
o vivamos plenamente no céu, na majestosa Igreja triunfante.
A Quaresma é esse tempo litúrgico que antecipa todo o período da Semana
Santa, da Morte e da Ressurreição de Nosso Senhor, do mistério Pascal.
Então, é um grande tempo que a Igreja nos dá para que possamos preparar o
nosso coração, viver verdadeiramente o tempo da Páscoa.
A Quaresma é um tempo de recolhimento para que possamos rever a nossa
vida, rever até que ponto a nossa vida de cristão corresponde àquilo que
Nosso Senhor nos pede. Ela serve para analisarmos se estamos
verdadeiramente amando Deus sobre todas as coisas ou se outras coisas
estão dominando o nosso coração. É um tempo de balanço geral em nossa
vida, de pararmos, silenciarmos e refletirmos. É bonito como a Liturgia
vai nos levando até isso por meio das leituras, das Missas de cada dia. A
Liturgia nos conduz a fazermos essa experiência de rever a vida, de
fazer dela uma vida diferente e poder entrar no tempo Pascal desejoso de
uma vida nova.
Escute essa música, enquanto lê o texto.
Não comer carne nem chocolate, não tomar refrigerante e não abusar das mensagens no celular. Mas do que vale tudo isso?
Vale para colocar Deus como o centro da nossa vida. Achei legal falar
das mensagens no celular! Quanto tempo temos demorado nas redes sociais e
quanto tempo temos nos dedicado a Deus? Coloque isso na ponta do lápis e
você verá quem tem ganhado mais espaço na sua vida. Então, se o tempo
do Facebook e do Watsapp têm sido maior do que o tempo que você reza,
que se dirige a Deus, você vai entender quem está dominando a sua vida.
Todas
as vezes que botamos freio em alguma realidade, principalmente no tempo
da Quaresma, é para colocarmos Deus em um centro. Então, o que nós
gostamos de comer não nos domina, o que assistimos não nos domina, o que
ouvimos não nos domina, porque o nosso amor está todo para Deus.
Diz
a Palavra de Deus que onde está o seu tesouro, ali está o seu coração.
Infelizmente, muitas vezes, os nossos tesouros estão enterrados em solos
que não são os do coração de Deus. Então, a Quaresma é esse tempo. Por
isso vale largar o chocolate, o refrigerante, as mensagens, para poder
fazer a experiência de colocar o Senhor como o centro na nossa vida.
Vale a pena! Por este motivo, temos de recolocar Deus onde Ele deveria
estar na nossa vida. Na mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2014,
ele fala sobre a miséria material, moral e espiritual. Ele finaliza
dizendo: "Não nos esqueçamos de que a verdadeira pobreza doí. Não seria
válido um despojamento sem essa dimensão penitencial. Desconfio da
esmola que não custa nem doí.
Nesta Quaresma, como podemos
ajudar as pessoas que vivem a miséria material, moral e espiritual? Como
seria a caridade nestes três âmbitos?
A miséria moral é exercer a caridade com uma pessoa que está trilhando um caminho
errado, é chamá-la a exercer um pouco da verdade, aconselhá-la e mostrar
a ela que existe outra realidade. Por exemplo, se você conhece um amigo
da faculdade que está trilhando um caminho de bebida, de alcoolismo,
chame-o, gaste do seu tempo com ele para poder instruí-lo e, talvez,
tentar tirá-lo dessa realidade de miséria moral.
A miséria espiritualvai para o mesmo caminho. São pessoas que, às vezes, precisam de uma
palavra, de um consolo ou aconselhamento. são pessoas que precisam ser
ouvidas, precisam de alguém que se sente e as escute. É uma miséria
espiritual, ou seja, ela tem a necessidade de alguém que reze com ela,
que a assuma em oração. Nós podemos sanar a miséria espiritual dos
nossos irmãos dando-lhes a nossa vida em oração, sentando com eles,
rezando por eles. A miséria moral e a espiritual estão muito relacionadas ao nosso tempo, à nossa vida. Mas existe a miséria material,
sobre a qual o Papa está insistindo. Como a Igreja pensa as práticas da
Quaresma: oração, jejum, penitência, caridade e esmola? A oração nos
leva para Deus quando nos lançamos para Ele. Quando revemos, na nossa
vida, tudo o que está em excesso, aí entra a necessidade de jejum e
penitência. Mas se isso parar apenas na nossa vida, e não transbordar na
vida do irmão, não tem valor. É aí que entra a caridade e a esmola.
A
sintonia é perfeita, porque nós nos lançamos em Deus, avaliamos nossa
vida e refazemos o nosso relacionamento com Deus. Refazemos as coisas,
refazemos nosso relacionamento com os irmãos, com a caridade que ela
pode se dar nesse sentido; de se dar tempo, mas também no sentido
concreto material.
Então, vamos para o exemplo: eu faço uma penitência de não tomar
refrigerante, vou pegar essa que é uma bem simples, durante toda a
Quaresma, aí você calcula, quanto eu gasto por dia com refrigerante.
Ah, eu gasto dez reais de refrigerante por semana, eu transformo aqueles
dez reais em esmola para uma família que precisa.
Este é o
sentido da esmola, aquilo que a gente jejua e que gastaria algo,
entregamos aos pobres. De ir ao encontro, de fazer um rateio, de chamar
outras pessoas. Os seus dez reais, mais os dez reais de outro; porque
não faz uma cesta básica para uma família que está passando fome? Então,
temos um costume muito egoísta: Ah tá bom, vou ficar sem tomar
refrigerante, vai me sobrar dinheiro. Não esse dinheiro não é seu e, sim
do outro! É por isso, que a Igreja sempre nos propôs essas três
realidades juntas. Porque elas nos lançam nos outros, elas nos lançam na
realidade dos outro. Agora, uma realidade que fica fechada no meu
relacionamento com Deus e, na minha vida de uma conversão interior e não
transborda em amor por outro.
O Papa Francisco
fala muito da cultura do encontro, de ir ao encontro do outro. Ela vai
ser uma Quaresma estéril, sem fecundidade, porque ela vai ser igual a um
tripé com o pé quebrado, ela não vai ficar de pé. Agora, se eu revejo o
meu relacionamento com Deus com oração, revejo o meu relacionamento com
as criaturas, com as coisas, com o jejum e com a penitência e revejo o
meu relacionamento com meu irmão com a caridade, aí eu me coloco em uma
Quaresma concreta. Pode ser alguém que você precise dar perdão, que
você precise perdoar, que você precise ir ao encontro. Alguém que você
vacilou com ela e, você precisa pedir perdão por este ato que fez. Isso
tudo é maneira concreta de viver a caridade e de ir de encontro com
essa miséria moral, espiritual ou real que, muitas vezes, as pessoas se
encontram.
Como discernir qual penitência fazer?
Primeiro, a penitência quer nos fazer lembrar de algo, de uma
mortificação da nossa carne, de uma mortificação dos nossos sentidos
para nos lembrarmos do centro da nossa vida, que é Deus. Então, a
penitência tem que ser algo que lhe custe. Por exemplo, não dá para
fazer penitência de carne se eu prefiro frango; não dá para fazer
penitência de uma coisa que eu não tenha como comer todos os dias. Todos
os dias você come caviar? Não tem como você fazer penitência de caviar,
sendo que você não come isso todos os dias, então, tem que ser algo que
verdadeiramente você vá sentir falta. Por exemplo: "Ah, eu gosto muito
de café!" Opá! Se eu gosto muito dessa bebida, isso vai me fazer falta.
Então a penitência tem que ser algo que recorde você o ''para que'' você
a está fazendo.
Se não resistirmos até o fim da penitência, vale a pena recomeçá-la?
A Quaresma
é um período que se estende por mais de quarenta dias; se formos
colocar na ponta do lápis, dá mais de quarenta dias. Quedas, temos que
lutar com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, para não cair,
mas se cairmos, devemos começar de novo e levantar, retomar, começar do
zero! O que Deus vai ver é o seu desejo de cumprir aquilo e não
verdadeiramente se somente você consegue ou não!
Claro, vai ser
uma vitória até para você mesmo quando você chegar no fim dos quarenta
dias com a graça de Deus você poder ter resistido. Vamos dizer que você
faça penitência de refrigerante, por exemplo. Porque a penitência é
diferente do jejum, vou deixar muito claro: a penitência é algo do qual
você se abstém; o jejum é uma das refeições das quais você se abstém.
Então, eu vou ficar sem tomar refrigerante – aí no domingo de Páscoa,
você com aquela alegria: ''Fiquei esse tempo todo, agora vou com essa
alegria celebrar''. É claro que você não vai tomar o refrigerante que
você não tomou há cinquenta dias.
Mas caiu, começa de novo, retoma, peça perdão a Deus e começa do zero, assim como Deus faz em todas as nossas realidades.
No
domingo também é preciso fazer penitência? O que a nossa Igreja diz
sobre comer ou não comer carne nas quartas e sextas-feiras da Quaresma? É
obrigatório?
Vale a pena explicar o que é jejum e o
que é penitência. A Igreja, por tradição, tem os dias de guarda e por
tradição as sextas-feiras são dias penitenciais, então, o dia de jejum. O
que é jejum? Existe uma diferença clara entre jejum e penitência;
existe o jejum da Igreja que é o mais simples. Existe um livrinho do
padre Jonas, chamado: ''Práticas de jejum''. O jejum é justamente se
abster de uma ou de todas as refeições, em vista de algo. Na sexta-feira
como é a tradição da Igreja, é normalmente um dia de se abster de
carne, quanto mais a sexta-feira da Quaresma, como a Quarta-feira de
Cinzas, também é um dia que nos abstemos de carne, não comemos carne,
então o jejum é nessa realidade.
A penitência, como já disse, é algo que você retira, que pode ser algo
de alimento ou pode ser algo de atitude. Você perguntaria, domingo é dia de jejum
e de penitência, ou, não é? Domingo não é dia de jejum, mas a sua
penitência você não precisa parar de fazer no domingo. Suponhamos que eu
faça uma penitência quaresmal de não tomar refrigerante, imagina como
seria fácil, se eu faço de segunda a sábado e no domingo eu encha a cara
de refrigerante.
Como é uma penitência você pode levá-la até o
fim da Quaresma. Agora jejum nós fazemos em que dia? A Igreja nos pede
que o pratiquemos todas às sextas-feiras da Quaresma e, na Quaresma de
uma forma geral, você o vai adaptando conforme a sua realidade e a sua
saúde, como é que isso pode ser feito. Agora, domingo não é dia de fazer
jejum, eu não posso domingo, por exemplo: "Ah! eu não vou almoçar
porque meu coração está penitenciado". Lembremos: Nós fazemos memória,
nós celebramos o tempo que Jesus passou no deserto, nós vamos celebrar a
paixão, morte e ressurreição d'Ele, mas sem nos esquecermos de que
Jesus Cristo está vivo. Então, domingo é dia de celebrar a ressurreição
de Jesus, seja na Quaresma ou em qualquer realidade, por isso, domingo
não é dia de jejum. Mas, não ''seja sem vergonha'', você não precisa
ficar suspendendo a sua penitência nos domingos não! Você pode vivê-las,
tanto no tempo da Quaresma como em qualquer tempo litúrgico.
Estamos no período da
Quaresma, tempo litúrgico, em que a Igreja nos convida para um de exame
de consciência e conversão. Claro que todo tempo litúrgico é tempo de
conversão e não somente no período que se estende entre; a quarta feira
de cinzas e o domingo de ramos, mas este tempo, é para nós católicos,
mais forte ao clamor:" Completou se o tempo e Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho."(Mc
1,15) Mas toda ação e convite da Igreja, para este tempo, deve estar
permeado do desejo interior e sincero à busca continua do “novo homem”,
através de atitudes exteriores, que remetem à um interior convertido, a
conversão não é somente um processo de novos costumes, mas uma atitude
de vida, que vêm do interior.
“Boa coisa é a oração acompanhada de jejum, e a esmola é preferível aos tesouros de ouro escondidos”. (Tobias 12,8)
Todas
ás praticas, recomendas pela Igreja neste “tempo”, possuem um dimensão
de reconciliação, e busca continua do desapego, ao que feri a unidade do
ser com o Criador, e com as criaturas.
Jejum
A
prática do jejum, abstinência do alimento, tão recomenda em diversos
trechos do AT e NT, e sempre aconselhado pela Igreja, como uma prática
de mortificação e piedade, com muitos frutos aos cristãos, é um conselho
à reconciliação consigo mesmo, tem a dimensão de nos educar e a sermos
“senhores” de nós mesmos. Esta prática deve esta permeada do sincero
apelo à mudança de vida, pois não se trata de somente uma atitude
exterior, pois seria condenável.“Passais
vosso jejum em disputas e altercações, ferindo com o punho o pobre. Não
é jejuando assim que fareis chegar lá em cima vossa voz."(Isaias 58,4) ou ainda“Sabeis
qual é o jejum que eu aprecio? - diz o Senhor Deus: É romper as cadeias
injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos,
e quebrar toda espécie de jugo.”(Isaias 58,6)
O
jejum tem como sua finalidade o desejo sincero de não sermos escravos
dos sentidos, mas em entender que existe um sentido maior, em tudo, e
que as paixões humanas não nos escravizam, pois buscamos o domínio de
nós mesmos, nos penitenciando.
De
que jejum estamos falando? Ficar sem comer? O jejum é mais do que o
deixar a refeição, ele tem como um ato concreto o não se alimentar, mas é
maior do que a privação do alimento, pois o fruto é a busca daquilo que
é imperecível, o Bem maior. Existem diversas formas de jejum, que
juntamente com a privação do alimento, são convites à conversão, pois,
ficar sem a comida e o único fruto disto, for à dor de cabeça, no final
da tarde, seria uma prática somente externa, é necessário o jejum
constante, o de sempre, daquilo que nos corrompe, nos impede o
seguimento e a proximidade conosco e por isso com Deus, no nosso
interior, no palácio Real do nosso coração
Oração
No
mesmo pensamento, a oração, tem um fundamento claro de reconciliação, e
esta é com Deus, na busca desta intimidade, este colóquio da criatura
com seu Criador.“Atende à oração e à súplica do teu servo, Javé meu Deus! Ouve o clamor e a prece que teu servo faz diante de ti.”(II
Cronicas 6,19) Com o auxílio de Deus a Igreja nestes séculos, tem
diversos mestres e santos, que nos ensinaram tanto sobre esta intimidade
com Deus, através da oração na busca da fonte que sacia toda a sede.
Nosso
Senhor em sua vida pública, foi mestre de oração e numa via continua de
busca da comunhão com Deus pai Criador, Ele mesmo sendo Deus como diz o
credo:“Creio em um
só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, unigênito do Pai,da substância
do Pai; Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.”Quantas vezes não se retirava à oração;“Logo depois de despedir as multidões, Jesus subiu sozinho ao monte, para rezar. Ao anoitecer, Jesus continuava aí sozinho.” (Mt 14,23) e no Pai Nosso, nos ensina o fundamento de toda uma vida unitiva e orante com Deus.“Percorrei
todas as orações que se encontram nas Escrituras, e eu não creio que
possais encontrar nelas algo que não esteja incluído na oração do Senhor
(Pai Nosso)”(Sto.
Agostinho). A oração do Pai Nosso, ensinada por Cristo, está
fundamentada em 7 pedidos que convergem, todas as outras orações da
Igreja, e o número 7 nas Escrituras indicam, perfeição e plenitude.
“O Pai Nosso é a mais perfeita oração”. (Santo Tomás de Aquino)
Os pedidos da oração do Pai Nosso; 1o que seu nome seja glorificado, 2o que o seu reino venha a nós, 3o que sua vontade seja feita, 4° nosso pão de cada dia, 5o o perdão dos nossos pecados, 6o a vitória sobre as tentações e o 7o que
os livre de todo mal. Santa Teresa ligava os sete pedidos do Pai Nosso
aos títulos de Deus dados por nosso amor. No primeiro pedido ela o honra
especialmente como seu Pai; no segundo o adora como seu Rei; no terceiro o ama como seu Esposo, no quarto, onde se pede o pão de cada dia, reconhece Jesus como seu Pastor; no quinto como seu Redentor; no sexto como seu Medico; e no sétimo como seu Juiz.Podemos concluir que há diversos modos de meditarmos a oração ensinada por Cristo.
Todo o tempo pode ser dedicado a oração, podemos reserva um momento exclusivo, mas no ensinamento da vigilância: “Vigiem e rezem, para não caírem na tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.(Mt
26,41) e como os padres do deserto, entenderam que todo o tempo é tempo
de oração, surgiu á devoção da oração bizantina, onde em todos os
momentos se pronunciavam, jaculatórias de invocação ao Senhor, a mais
comum era: – Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, tende piedade de
mim, pecador! Ou a invocação constante do nome de Jesus (Deus salva).
Pois nada nos impede de rezar em todo o tempo e lugar, é à busca desta
reconciliação constante com Deus e o pedido do auxílio da sua graça
sobre nós.
Quisera
poder em todos os momentos de oração, estar dentro de catedrais,
magníficas, ao som de belíssimos cantos gregorianos, sentindo o perfume
do incenso e arrebatados, em profunda comunhão aos mistérios de nossa
fé, mas nem sempre esta é nossa realidade e nem por isso podemos deixar
de estarmos vigilantes e atentos."Ao
contrário, quando você rezar, entre no seu quarto, feche a porta, e
reze ao seu Pai ocultamente; e o seu Pai, que vê o escondido,
recompensará você."(Mt 26,41)
Esmolas
Este
convite de reconciliação, assim como na via do jejum nos reconciliamos
conosco, na oração com Deus e através da esmolas com o próximo, mas uma
via unitiva e de comunhão.“Dê
esmolas daquilo que você possui, e não seja mesquinho. Se você vê um
pobre, não desvie o rosto, e Deus não afastará seu rosto de você.”(Tobias 4,7)
A esmola é uma via de união com Deus através da virtude da caridade, em ato concreto.“Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.”(1Cor 13,13)
Tanto
as Sagradas Escrituras, o Magistério e a Tradição sempre ensinaram de
forma eloqüente sobre o dar esmolas, como um ato de louvor a Deus e
reconhecimento de que tudo recebemos Dele. Santo Ambrósio nos diz que a
esmola é quase um segundo batismo e um sacrifício propiciatório que nos
faz obter graça diante de Deus. Diga-me que remorso no juízo para
aqueles que desprezam e caçoam dos pobres, quando Jesus Cristo lhes
mostrar que foi a Ele mesmo que injuriaram! (Mt 25)
Por
menor que seja a nossa oferta de esmolas aos pobres é a intenção que é
válida, mas sem perdemos a coerência naquilo que fazemos, se alguém te
pede uma esmola para almoçar e você dá 10 centavos, o que ela vai
almoçar com esse valor? Isso não é esmola. “Se a um irmão ou a
uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes
disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o
necessário para o corpo, de que lhes aproveitará?”(Tg 2,15-16)
Vemos,
que as atitudes de conversão, que o tempo de quaresma nos convida, de
jejum, oração e esmolas, não são uma quarentena anual, mas atitudes de
vida, de cristianismo, de catolicismo, não basta 40 dias por ano e sim
uma vida constante, neste tempo, é preciso reconhecer o quanto nos falta
e mudar!