segunda-feira, 24 de outubro de 2016

É necessário devolver a Deus o que dEle veio

Malaquias 3, 10 - inferte omnem decimam in horreum et sit cibus in domo mea et probate me super hoc dicit Dominus si non aperuero vobis cataractas cæli et effudero vobis benedictionem usque ad abundantiam (Pagai integralmente os dízimos ao tesouro do templo, para que haja alimento em minha casa. Fazei a experiência - diz o Senhor dos exércitos - e vereis se não vos abro os reservatórios do céu e se não derramo a minha bênção sobre vós muito além do necessário.)

O que é Dízimo?
 
O dízimo é uma contribuição voluntária, regular, periódica e proporcional aos rendimentos recebidos, que todo batizado deve assumir como obrigação pessoal - mas também como direito - em relação à manutenção da vida da Igreja local onde vive sua fé. O dízimo é uma forma concreta de manifestar a fé em Deus providente, um modo de viver a esperança em seu Reino de vida e justiça, um jeito de praticar a caridade na vida em comunidade. É ato de fé, de esperança e de caridade. Pelo dízimo, podemos viver essas três importantes virtudes cristãs, chamadas de virtudes teologais, porque nos aproximam diretamente de Deus. O dízimo é compromisso de cada cristão. É uma forma de devolver a Deus, num ato de agradecimento, uma parte daquilo que se recebe. Representa a aceitação consciente do dom de Deus e a disposição fiel de colaborar com seu projeto de felicidade para todos. Dízimo é agradecimento e partilha, já que tudo o que temos e recebemos vem de Deus e pertence a Deus.


Somente é Dízimo se For o Primeiro.


A palavra dízimo é usada de forma intercambiável com a palavra primícias. Há diversos exemplos disso em toda a Bíblia (Ez. 44:30 e II Cr. 31:1-6). Neemias, por exemplo, se referiu aos dízimos como primeiros frutos. (leia Ne. 10:35-37). Isso é importante, porque a palavra primícia é mais usada na linguagem do Novo Testamento. Essa é uma evidência de que o dízimo é também uma verdade do Novo Testamento. Quando falamos dessas coisas, o primeiro argumento que as pessoas levantam é que o dízimo é algo do Velho Testamento. Mas o texto de Malaquias começa com uma afirmação solene: Porque eu, o Senhor, não mudo... (Ml 3.6). Se Deus é o mesmo, então Ele ainda deseja ser honrado sendo o primeiro. Mas só será dízimo, se for o primeiro. Se você pagou todas as coisas e só no final deu o dízimo, isso não é dízimo. Portanto, algumas pessoas podem até dar 10% e ainda assim, não dão o dízimo, simplesmente porque não foi o primeiro.


Que passagens da Bíblia nos falam do Dízimo? 

São muitíssimas. Por sua Palavra, Deus nos convida: a confiar nele, que é o único Senhor de tudo; a ser-lhe agradecidos, porque ele é a fonte de todo bem; a colaborar com ele na instauração de uma nova sociedade, em que haja partilha e comunhão de bens, e em que não haja necessitados. Nos textos que seguem, podemos conferir essa divina proposta. A título de exemplo, citamos apenas algumas passagens bíblicas. Veremos, primeiro, que os patriarcas de Israel sabiam reconhecer os dons de Deus e lhe eram agradecidos, oferecendo-lhe a décima parte de tudo o que possuíam: “Abraão deu ao Senhor a décima parte de tudo” (Gen. 14,20). Jacó disse: “Eu te darei a décima parte de tudo o que me deres” (Gen. 28,22). Através do profeta Malaquias, Javé reclama do povo a oferta do dízimo, e lhe faz a ousada proposta de fazer a experiência do dízimo, como sinal de confiança nas graças que somente ele, Javé, pode dar. Diz Javé: “Vocês perguntam: Em que te enganamos?¹ No dízimo e na contribuição. Vocês estão ameaçados de maldição, e mesmo assim estão me enganando, vocês e a nação inteira! Tragam o dízimo completo para o cofre do Templo, para que haja alimento em meu Templo. Façam essa experiência comigo. Vocês hão de ver, então, que abrirei as comportas do céu, e derramarei sobre vocês as minhas bênçãos de fartura” (MI 3,8-10).


ANTES DE MEXER COM O BOLSO, O DÍZIMO TOCA O CORAÇÃO.

 
Atualmente, a Igreja pretende redescobrir seu verdadeiro sentido para que nós cristãos possamos entender melhor o porquê do dízimo. Ele não é invenção humana e sim um dos mandamentos bíblicos e um excelente meio de vivermos as três grandes virtudes chamadas teologais. As virtudes teologais são chamadas assim, porque nos põem em relação direta com Deus ou porque nos levam a fazer o que faz o próprio Deus. São elas: a fé, a esperança e a caridade. Como sabemos, a Igreja é formada por pessoas que devem unir-se em comunidade. Em outras palavras, cada membro da Igreja é e deve sentir-se responsável pelos outros que formam a Igreja. Deus é Pai de todos e quer a plena realização de todos. Ora, ninguém pode chegar a essa realização sozinho. Por isso o sentido do dízimo é hoje riquíssimo, pois é um dos meios pelos quais cada cristão demonstra sua responsabilidade para manter a Igreja a que pertence, seja a Igreja-Templo, como também a Igreja-Povo.
Que relação existe entre dízimo e dinheiro?

Se o dízimo fosse apenas uma campanha financeira, com vistas a arrecadar dinheiro, não teria sentido e nem deveria existir. Por intermédio do dízimo, o cristão reconhece que deve retribuir a Deus uma parte dos bens que recebeu do próprio Deus. Dízimo é ato de gratidão a Deus. Dízimo é ato de caridade e partilha para com a Igreja. Não é taxa nem imposto que se deva pagar à Igreja, pois a Igreja não é um clube de prestação de serviços. Dízimo não é pagamento de sacramentos ou de serviços prestados pela Igreja ou pelo padre. Dízimo não se paga, se oferece. Não se cobra, se recebe. Antes de mexer com o bolso, o dízimo toca o coração. Antes de tudo, o dízimo é a manifestação da corresponsabilidade de cada um para com a comunidade cristã, da qual faz parte. Quando alguém devolve o dízimo, põe em prática a Palavra de Deus que diz: “Ofertai o dízimo” (Malaquias 3,10). Portanto, ele deve ser feito não como uma obrigação imposta, mas sim como reconhecimento de que vem de Deus tudo o que se tem e se possui. Todas as coisas pertencem a Deus, mesmo que estejam em poder de determinada pessoa. Essa atitude deve levar cada um de nós à conscienti-zação de que fazemos parte de uma comunidade pela qual cada um de nós é responsável. Oferecer o dízimo não quer dizer isentar-se de outras responsabilidades para com a comunidade. Pelo contrário, deve ser o início de uma nova relação do fiel com sua Igreja, principalmente com a comunidade onde vive.

 Onde devo entregar o Dízimo?

Diz o livro do Deuteronômio: “Então, ao lugar que o Senhor, vosso Deus, escolheu para estabelecer nele o seu nome, ali levareis todas as coisas que vos ordeno: vossos holocaustos, vossos sacrifícios, vossos dízimos, vossas primícias e todas as ofertas escolhidas que tiverdes prometido por voto ao Senhor” (Dt 12,11s). O dízimo pertence a Deus e é no templo que deve ser entregue, ou seja, na paróquia onde vivemos regularmente nossa fé. Levar um auxílio a um pobre, fazer um donativo a uma instituição beneficente, colaborar com campanhas de solidariedade, contribuir com movimentos de Igreja e/ou movimentos sociais... tudo isso são obras muito boas e agradáveis a Deus. Mas essas doações não substituem o dízimo e não nos isentam do nosso dízimo mensal, ofertado à paróquia onde recebemos a Palavra e os Sacramentos da salvação. Portanto, o dízimo deve ser levado à igreja. Pode ser entregue na secretaria paroquial, ou numa caixa de recebimento do dízimo que há na igreja, ou ser entregue a alguém da Pastoral do Dízimo ao final das missas e celebrações. Embora haja, em algumas paróquias, o costume de alguns fiéis saírem pelas ruas para receberem o dízimo das famílias, o ideal seria que cada fiel viesse à igreja trazer o seu dízimo. Os membros da Pastoral do Dízimo podem / devem ir de casa em casa para: levar alguma mensagem da paróquia, entregar o Jornal da Arquidiocese, lembrar o compromisso com o dízimo, entregar o relatório mensal da prestação de contas, etc. Mas, cada um deveria oferecer livre e alegremente o seu dízimo na comunidade onde vive sua fé.

“Dízimo não se paga, se oferece. Dízimo não se cobra, se recebe.”


  A palavra “dízimo” vem da palavra hebraica “malaser” e da palavra grega “dekate”, e traduzido significa “um décimo”. Todos nós sabemos que “um décimo” é 10%. Portanto, sabemos que a quantia do dízimo deve ser 10% porque este é o significado da palavra.

sábado, 8 de outubro de 2016

Significados dos gestos e posições na Santa Missa


– Sentado: É uma posição cômoda, uma atitude de ficar à vontade para ouvir e meditar, sem pressa.
– De pé: É uma posição de quem ouve com atenção e respeito. Indica a prontidão e disposição para obedecer. (Posição de orante)
– De joelhos: Posição de adoração a Deus diante do Santíssimo Sacramento e durante a consagração do pão e vinho.
– Genuflexão: É um gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Fazemos quando entramos na igreja e dela saímos, se ali existir o Sacrário.
– Inclinação: Inclinar-se diante do Santíssimo Sacramento é sinal de adoração.
– Mãos levantadas: É atitude dos orantes. Significa súplica e entrega a Deus.
– Mãos juntas: Significam recolhimento interior, busca de Deus, fé, súplica, confiança e entrega da vida.
– Silêncio: O silêncio ajuda o aprofundamento nos mistérios da fé. Fazer silêncio também é necessário para interiorizar e meditar, sem ele a Missa seria como chuva forte e rápida que não penetra na terra.
 
Ritos Iniciais

Fazer o sinal da Cruz com água benta (sinal do batismo) ao entrar na igreja.

Fazer genuflexão ao sacrário contendo o Santíssimo Sacramento, e ao altar do Sacrifício, antes de se dirigir ao banco. (Se não houver sacrário no presbitério, ou se este não for visível, fazer inclinação profunda ao altar antes de se dirigir ao banco.)

Ajoelhar-se ao chegar no banco para oração privada antes do início da Missa.

Ficar de pé para a procissão de entrada.

Fazer inclinação de cabeça quando o crucifixo, sinal visível do sacrifício de Cristo, passar em procissão. (Se houver um bispo, fazer inclinação quando ele passar, como sinal de reconhecimento da sua autoridade da Igreja e de Cristo como pastor do seu rebanho.)

Permanecer de pé para os ritos iniciais. Fazer o sinal da Cruz junto com o sacerdote no começo da Missa.

Bater no peito ao “mea culpa(s)” (“por minha culpa, minha tão grande culpa”) no Confiteor.

Fazer inclinação de cabeça e o sinal da Cruz quando o sacerdote disser “Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós...”

Fazer inclinação de cabeça ao dizer o “Senhor, tende piedade de nós” no Kyrie.

Se houver o Rito da Aspersão (Asperges), fazer o sinal da Cruz quando o padre aspergir água em sua direção.

Durante a Missa, fazer inclinação de cabeça a cada menção do nome de Jesus e a cada vez que a Doxologia [“Glória ao Pai...”] for rezada ou cantada. Também quando pedir que o Senhor receba a nossa oração. (“Senhor, escutai a nossa prece” etc, e ao fim das orações presidenciais: “Por Cristo nosso Senhor” etc.)

Gloria: fazer inclinação de cabeça ao nome de Jesus. (“Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito...”, “Só vós o Altíssimo, Jesus Cristo...”)

 Liturgia da Palavra

Sentar-se para as leituras da Sagrada Escritura.

Ficar de pé para o Evangelho ao verso do Alleluia.

Quando o ministro anunciar o Evangelho, traçar o sinal da Cruz com o polegar na cabeça, nos lábios e no coração. Esse gesto é uma forma de oração para pedir a presença da Palavra de Deus na mente, nos lábios e no coração.

Sentar-se para a homilia.

Credo: De pé; fazer inclinação ao nome de Jesus; na maioria dos Domingos durante o Incarnatus (“e se encarnou pelo Espírito Santo... e se fez homem”); nas solenidades do Natal e da Anunciação todos se ajoelham a essas palavras.

Fazer o sinal da Cruz na conclusão do Credo, às palavras: “..e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.”

 Liturgia Eucarística

Sentar-se durante o ofertório.

Ficar de pé quando o sacerdote disser “Orai, irmãos e irmãs...” e permanecer de pé para responder “Receba o Senhor este sacrifício...”

Se for usado incenso, o povo se levanta e faz inclinação de cabeça ao turiferário quando ele fizer o mesmo, tanto antes como depois da incensação do povo.

Permanecer de pé até o final do Sanctus (Santo, Santo, Santo...”), quando se ajoelha durante toda a Oração Eucarística.

No momento da Consagração de cada espécie, inclinar a cabeça e pronunciar silenciosamente “Meu Senhor e meu Deus”, reconhecendo a presença de Cristo no altar. Estas são as palavras de São Tomé quando ele reconheceu verdadeiramente a Cristo quando Este apareceu diante dele (Jo 20,28). Jesus disse: “Acreditaste porque me viste. Felizes os que acreditaram sem ter visto” (Jo 20,29).

Ficar de pé ao convite do sacerdote para a Oração do Senhor.

Com reverência, unir as mãos e inclinar a cabeça durante a Oração do Senhor.

Manter-se de pé para o sinal da paz, após o convite. (O sinal da paz pode ser um aperto de mãos ou uma inclinação de cabeça à pessoa mais próxima, acompanhada das palavras “A paz esteja contigo”.)

Na recitação (ou canto) do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus...”), bater no peito às palavras “Tende pedade de nós”.

Ajoelhar-se ao fim do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus...”).

Fazer inclinação de cabeça e bater no peito ao dizer: “Domine, non sum dignus... (“Senhor, eu não sou digno...”).

Recepção da Comunhão

Deixar o banco (sem genuflexão) e caminhar com reverência até o altar, com as mãos unidas em oração.

Fazer um gesto de reverência ao se aproximar do ministro em procissão para receber a Comunhão. Se ela for recebida de joelhos, não se faz nenhum gesto adicional antes de recebê-la.

Pode-se receber a Hóstia tanto na língua como na mão.

Para o primeiro caso, abrir a boca e estender a língua, de modo que o ministro possa depositar a Hóstia de forma apropriada. Para o outro caso, posicionar uma mão sobre a outra, de palmas abertas, para receber a Hóstia. Com a mão de baixo, tomar a Hóstia e com reverência depositá-la na sua boca. (Ver as diretrizes da Santa Sé de 1985).

Quando carregando uma criança, é muito mais apropriado receber a Comunhão na língua.

Se comungar também do cálice, fazer o mesmo gesto de reverência ao se aproximar do ministro.

Fazer o sinal da Cruz após ter recebido a Comunhão.

Ajoelhar-se em oração ao retornar para o banco depois da Comunhão, até o sacerdote se sentar, ou até que ele diga “Oremos”.

Ritos Finais
Ficar de pé para os ritos finais.

Fazer o sinal da Cruz durante a bênção final, quando o sacerdote invocar a Trindade.

Permanecer de pé até que todos os ministros tenham saído em procissão. (Se houver procissão recessional, fazer inclinação ao crucifixo quando ele passar.)

Se houver um hino durante o recessional, permanecer de pé até o final da execução. Se não houver hino, permanecer de pé até que todos os ministros tenham se retirado da parte principal da igreja.

Depois da conclusão da Missa, pode-se ajoelhar para uma oração privada de ação de graças.

Fazer genuflexão ao Santíssimo Sacramento e ao Altar do Sacrifício ao sair do banco, e deixar a (parte principal da) igreja em silêncio.

Fazer o sinal da Cruz com água benta ao sair da igreja, como recordação batismal de anunciar o Evangelho de Cristo a toda criatura.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Se todas as pessoas sabem os mandamentos, então por que elas pecam?


Os 10 mandamentos nos falam das “regras” e contribuem para uma boa convivência, onde nós não ferimos ninguém e nem somos feridos por ninguém. Seja no trânsito, seja na vida.

Mas, será que devemos considerar os 10 mandamentos apenas como “A Grande Tábua das Regras”? Será que devemos deixar de fazer coisas apenas porque “a nossa religião não permite”?

Para responder essas perguntas, podemos olhar para as nossas próprias vidas, para as coisas corriqueiras, coisas (ou regras) que certamente você nem percebe que estão lá, mas estão.

Por exemplo: com que  frequência você costuma colocar o dedo em uma tomada?

Pergunta estranha, não?

É óbvio que você não tem o costume de colocar o dedo na tomada! (Não é?)

Não sei se você se lembra, mas algum dia alguém te disse que você não podia colocar o dedo na tomada. Sem te dar muitas explicações. No máximo, te disseram que dava choque e pronto.

E essa era apenas uma regra que você tinha que seguir. Não foi assim?

Pois eu vou te dizer o que aconteceu comigo: tinha eu 6 ou 7 anos de idade, e eu estava sozinho no quarto quando percebi que havia um plug no chão. Um plug de tomada, desencapado, com os fios à mostra. Então eu não tive dúvida, havia chegado a hora de eu transgredir a regra e descobrir o que era “o tal do choque”, na realidade. Enfiei o plug na tomada e coloquei o meu dedo na parte desencapada… e obviamente levei o maior choque! (hehehe).

Pronto! Agora eu sabia o que significava a palavra “choque”, e depois disso nunca mais coloquei o dedo na tomada.

Mas de toda essa história eu aprendi algo valioso, algo que eu só pude entender depois de adulto e consciente dos meus atos: eu só coloquei o dedo na tomada porque alguém me disse que eu não poderia fazer isso. Porque, se ninguém nunca me tivesse dito isso, jamais passaria pela minha cabeça a ideia insana de fazer tal coisa! Mas algum dia, alguém querendo me prevenir, me ditou uma regra, e justamente essa regra – que deveria me manter longe do perigo – que me instigou a fazer algo errado.

Incrível, não?

Eu tenho certeza de que algum dia isso aconteceu na sua vida também: alguém (seja a sua mãe, sua religião ou a sociedade) te proibiu de fazer algo, e essa proibição que era pra ser algo bom, que te protegia (como comentamos no primeiro texto da série) acabou te levando para a transgressão.

Certamente você já ultrapassou o limite de velocidade de alguma avenida, ou tentou ter acesso a alguma revista pornográfica antes de completar dezoito anos só porque alguém te disse que isso era proibido. Ou então você foi mais além: já transou com uma mulher/um homem compromissado, ou já fez isso sendo você o compromissado, só porque “o proibido parecia ser mais gostoso”. Ou talvez você tenha ido ainda mais além: de tanto alguém dizer que é proibido fumar maconha, você teve que fumar pela primeira vez para matar a curiosidade.

Viu, somos iguais! Não interessa se você enfiou o dedo na tomada ou se você se “enfiou uma amante dentro de casa”. Você fez isso por outros motivos, óbvio! Mas também porque algum dia alguém te disse que isso era proibido, e essa regra despertou em você uma curiosidade, um desejo por fazer aquilo.

Há 2 mil anos, o apóstolo Paulo já havia percebido isso, e um dia ele comentou isso em uma carta que ele enviou à igreja de Roma:

“Que diremos então? A lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a lei não dissesse: “Não cobiçarás”. Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. Pois, sem a lei, o pecado está morto.” (Romanos 7, 7-8)

Esse é um efeito colateral da lei. Sem querer, ela acaba nos apresentando o pecado quando nos diz “não faça isso”. Assim como no meu caso do plug da tomada: eu nem sabia que era possível enfiar o dedo na tomada, até que algum dia alguém querendo me prevenir de um mal acabou me “dando a ideia”.

Mas a lei em si não nos faz pecar. Óbvio que não! Pois a lei, apesar de me apresentar a cobiça, por exemplo, ela não me manda cobiçar. Pelo contrário, ela me proíbe, e me dá motivos para que eu siga sua proibição.

Então, por que eu peco, mesmo conhecendo a lei de Deus?

Leia com atenção esse trecho que Paulo escreveu aos Romanos:

“Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. Pois, sem a lei, o pecado está morto. Antes, eu vivia sem a lei, mas quando o mandamento veio, o pecado reviveu, e eu morri. Descobri que o próprio mandamento, destinado a produzir vida, na verdade produziu morte. Pois o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, enganou-me e por meio do mandamento me matou. De fato a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom. E então, o que é bom se tornou em morte para mim? De maneira nenhuma! Mas, para que o pecado se mostrasse como pecado, ele produziu morte em mim por meio do que era bom, de modo que por meio do mandamento ele se mostrasse extremamente pecaminoso.” (Romanos 7, 8-13)
Nesse trecho, Paulo ilustra o pecado com um ser independente, como alguém que vive dentro de mim, tem vontades próprias e ainda consegue me convencer das suas vontades. Repare que ele atribui ações ao pecado. Ele diz que “o pecado produziu”, “o pecado reviveu”, “o pecado me enganou”. É como se o pecado fosse uma outra pessoa dentro de mim. E pior: uma pessoa capaz de dominar minhas vontades.

Tiago também nos dá uma definição de pecado que nos dá medo:

“Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte.” (Tiago 1, 13-15)
Tiago afirma que a cobiça nos arrasta e nos seduz, ou seja, ela nos convence do pecado. E depois disso, ela dá luz, ou seja, gera o pecado, que se consuma e nos mata.

Nós, homens sabemos muito bem como isso se dá. Somos facilmente seduzidos pelo nosso olhar, assim como as mulheres são facilmente seduzidas pelas palavras.

Imagine que eu estou tranquilamente navegando no meu perfil em uma rede social qualquer quando através de um compartilhamento de um amigo, ou de uma propaganda ou post de uma página, chega até mim a imagem de uma mulher seminua em uma pose sugestiva, e um link em azul, pedindo para ser clicado. Eu sei que não devo: seja porque sou cristão, seja porque tem muita gente ainda acordada em casa, ou então pelo risco de infectar meu computador com algum tipo de vírus.

Enquanto isso, imagine uma mulher – descontente com seu casamento e com a forma grosseira que o seu marido a trata – recebendo um buquê de flores e um lindo cartão com palavras sedutoras do chefe no trabalho. Ela também sabe que não deve ceder a tentação, porque é mãe, ou porque a sociedade e a sua religião a condenaria.

Durante algumas frações de segundos, uma guerra acontece em nossa mente: sabemos que não podemos, mas sabemos que nós queremos.

Queremos… presta atenção nesta palavra. Pois é ela que representa a “cobiça” (ou concupiscência) da qual Tiago fala. A nossa inclinação por tudo aquilo que é terreno, por satisfazer imediatamente qualquer prazer do nosso corpo, independentemente da existência de regras que proíbam ou regulam esse ato. É a cobiça sexual por uma mulher, ou por pisar mais fundo no acelerador ou até mesmo por romper a dieta. Qualquer coisa que satisfaça o nosso corpo, que lhe dê algum prazer.

É nesse momento que somos “arrastados e seduzidos”. É nesse momento que nos é mostrado todas as vantagens que teremos ao ceder a tentação. Assim como aconteceu com o próprio Jesus, que foi “arrastado” até o monte e sofreu a oferta de sedução do diabo:

“Depois, o diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E lhe disse: “Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar”. (Mateus 4, 8-9)
 
Uma vez seduzidos, acabamos cedendo a tentação, e é nessa hora que a “cobiça dá a luz ao pecado”. Quando menos percebo, já estou naquele site impróprio, vendo imagens que sei que não deveria estar vendo. Mesmo que eu tenha o conhecimento da regra “não verás pornografia”, mesmo que eu saiba de todo o mal que a pornografia pode causar em meu casamento, mesmo que eu saiba todos os números e dados que retrata a calamidade que é o problema da exploração sexual de mulheres, mesmo que eu tenha dezenas de versículos decorados, mesmo que eu seja o escritor do “Porque pecar é pecado”, nada disso importa, e nada disso é o suficiente. Na verdade, eu vou me lembrar de tudo isso e vou desejar fechar aquela página imediatamente, mas aquela “guerrinha” vai acontecer de novo, e eu vou perder, e vou acessar mais uma foto. E mais uma… e mais uma…. e ainda outra… e quando eu perceber, já estarei a horas preso a um site de pornografia. Morto. Logo serei acusado pelo mesmo diabo que me levou para lá. Serei julgado e condenado indigno de ser cristão, de ser humano, cidadão, marido e escritor do “Porque pecar é pecado”. Talvez eu jamais me recupere. Talvez então eu não me ache mais em condições de continuar escrevendo um livro sobre pecado. E as minhas noites em frente a um computador se resumirá ao prazer falso de mulheres feitas por pixels de computador. Livro incompleto, casamento caminhando para a destruição, caráter de cidadão indo por água a baixo… Essa é a morte da qual Tiago tanto falou.

Assim como a mulher da nossa história: uma vez seduzida pelas lindas palavras do seu chefe, será arrastada até o motel combinado no bilhete. Ela não foi arrastada pelo seu chefe, nem pela situação precária do seu casamento, tampouco pela necessidade de declarar o direito da liberdade feminina. Como disse Tiago, ela foi arrastada pela cobiça. Repare, ela não foi andando, ela foi arrastada. Ela chegou até aquele motel, e a cobiça de saber se ela ainda era mulher o suficiente na cama, talvez para aliviar sua consciência diante do seu marido ruim, ou então a cobiça de ser amada, ou simplesmente a cobiça de “gozar” acabou dando a luz ao pecado do adultério: uma bela e tórrida tarde de sexo. Uma tarde tórrida, mas depois daquela tarde ela será julgada e condenada, considerada indigna de ser mãe, mulher, esposa, funcionária. Antes de ser taxada pelos piores nomes pela sociedade, ela será taxada por ela mesma, pela consciência do certo e do errado que ela tem em si.

Tá vendo? Nos dois exemplos acima, tínhamos a consciência do certo e do errado. Tínhamos a lei, a regra. Mas nada disso foi suficiente para nos livrar. Fomos arrastados e seduzidos até o pecado, sem ao menos poder exercer o nosso direito de escolha. Escravizados, como já disse aqui em capítulos anteriores. Algemados e levados até o pecado.

E é assim que o jovem que tenta sair da droga não consegue. É assim que o homem “mulherengo” não consegue mudar de vida, mesmo sabendo que agora tem mulher e filhos. É assim que o ex-presidiário acaba voltando para o crime, mesmo quando quer viver vida nova. E é assim que até mesmo aquele renomado pastor não resiste ao olhar para os cofres cada vez mais cheios da sua igreja, e acaba cedendo.

Que guerra é essa! Sabemos o que é certo, queremos fazer o certo, mas ainda assim fazemos o errado!

Paulo já falava sobre isso em Romanos 7. Leia com atenção:

“Sabemos que a lei é espiritual; eu, contudo, não o sou, pois fui vendido como escravo ao pecado. Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio. E, se faço o que não desejo, admito que a lei é boa. Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros.” (Romanos 7, 14-23)
E Paulo, que era um dos maiores pregadores que já existiu falava isso dele mesmo. Ele, Paulo, olhava para si e via tudo isso.

E, após fazer essa análise, Paulo termina o capítulo com uma frase dura, se considerando miserável:

“Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Romanos 7, 24)
Que miserável que somos! Quem nos libertará do corpo sujeito a esta morte ?


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Exaltação da Santa Cruz

 
Quando exaltamos a santa cruz, exaltamos o próprio Cristo
 
A Festa da Exaltação da Santa Cruz, celebrada pela Igreja no dia 14 de setembro, nos faz recordar que por meio dela Cristo foi exaltado e vencedor. Para os cristãos a cruz é o maior símbolo da fé, por intermédio do sinal da cruz somos marcamos no nosso batismo como filhos de Deus, pertencentes a Jesus Cristo.
 
Conta-se, segundo a tradição cristã, que durante uma peregrinação a Jerusalém, Santa Helena mandou fazer pesquisas para encontrar a verdadeira cruz de Cristo. E ordenou que fosse construída a Igreja do Santo Sepulcro no local em que o objeto-símbolo de nossa salvação foi encontrado. No dia 14 de setembro daquele ano a cruz foi posta em exposição para que os fiéis pudessem orar diante dela e venerá-la.

Reverenciar a cruz é ter a certeza de que reverenciamos não apenas um objeto, mas Nosso Salvador Jesus Cristo, que, por amor a nós, deixou-se crucificar para que vencêssemos a morte causada pelo pecado. A cruz serviu de altar para o sacrifício de Jesus. “Se fizermos o sinal da cruz com fé, ele será para nós um escudo”, escreveu Santo Hipólito.


A Festa da Exaltação da Santa Cruz, é a Festa da Exaltação do Cristo vencedor. Para nós cristãos, a cruz é o maior símbolo de nossa fé, cujos traços nós nos persignamos desde o início do dia, quando levantamos, até o fim da noite ao deitarmos. Quando somos apresentados à comunidade cristã, na cerimônia batismal, o primeiro sinal de acolhida é o sinal da cruz traçado em nossa fronte pelo padre, pais e padrinhos, assinalando-nos para sempre com Cristo.

A Cruz recorda o Cristo crucificado, o seu sacrifício, o seu martírio que nos trouxe a salvação. Assim sendo, a Igreja há muito tempo passou a celebrar, exaltar e venerar a Cruz, inclusive como símbolo da árvore da vida que se contrapõe à árvore do pecado no paraíso, quando a serpente do paraíso trouxe a morte, a infelicidade a este mundo, incitando os pais a provarem o fruto da árvore proibida. (Gn 3,17-19)

No deserto, a serpente também provocou a morte dos filhos de Israel, que reclamavam contra Deus e contra Moisés (Nm 21,4-6). Arrependendo-se do seu pecado, o povo pediu a Moisés que intercedesse junto ao Senhor para livrá-los das serpentes. Assim, o Senhor, com sua bondade infinita, ordenou a Moisés que erguesse no centro do acampamento um poste de madeira com uma serpente de bronze pendurada no alto, dizendo que todo aquele que dirigisse seu olhar para a serpente de bronze se curaria. (Nm 21,8-9)

Esses símbolos do passado, muito conhecidos pelo povo (serpente, árvore, pecado, morte), nos dizem que na Festa da Exaltação da Santa Cruz, no lugar da serpente de bronze pendurado no alto de um poste de madeira, encontramos o próprio Jesus levantado no lenho da Cruz. Se o pecado e a morte tiveram sua entrada neste mundo através do demônio (serpente do paraíso) e do deserto, a bênção, a salvação e a vida eterna vêm do Cristo levantado no alto da Cruz, de onde Ele atrai para si os olhares de toda a humanidade. Assim, a Igreja canta na Liturgia Eucarística de Festa: “Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós, por Ti redimidos, te cantamos louvor!”

A Cruz não é uma divindade, um ídolo feito de madeira, barro ou bronze, mas sim, santa e sagrada, onde pendeu o Salvador do mundo. Traçando o sinal da cruz em nossa fronte, a todo o momento nós louvamos e bendizemos a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, agradecendo o tão grande bem e amor que, pela CRUZ, o Senhor continua a derramar sobre nós.

Devemos vê-la não como um amuleto, mas como um símbolo santo e sagrado, no qual encontramos a salvação. Quando fazemos o sinal da cruz com fé, respeito e amor nós estamos louvando e bendizendo a Santíssima Trindade e nos protegendo contra o inimigo de Deus.

Quando exaltamos a santa cruz, exaltamos o próprio Cristo e proclamamos a vitória sobre o pecado. Pela cruz, que significa morte das próprias vontades, humilhação e obediência à vontade de Deus, nos santificamos, pois deixamos o nosso querer de lado para obedecer aos desígnios de Deus.

Exaltemos a santa cruz de Cristo, Nosso Salvador!



 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Encontro de Maria com Seu Filho


     Depois de Verônica, o momento mais marcante da subida. Parada à beira do caminho estava Maria, Sua mãe.
      A cena era triste. Trinta e três anos a distanciavam do menino ao colo, das delicadezas maternas que a configuravam como sentinela do Divino homem, missão recebida sob as imposições históricas que não lhe permitiam grandes conquistas, mas que a devolviam ao lar com o poder de redimir o mundo a partir de pequenos gestos. Ninguém sabia. Ninguém sequer intuía, mas, naquela casa simples, sob a tutela de um carpinteiro fiel e de uma nazarena incrivelmente bela, Deus era conduzido por mãos humanas.
      Era amamentando, tomando aos braços, curado de suas tristezas, aconchegado no calor dos corpos quando as noites eram frias, e banhando em águas frescas quando as noites eram quentes.
      Nos assombros daquela tarde tenebrosa, é certo que as memórias da mulher estavam à flor da pele. A tragédia de Seu Filho lhe favorecia um retorno no tempo.
       Os joelhos esfolados do homem crescido que dramaticamente subia na direção do calvário eram os mesmos em que um dia ela aplicou curativo nos machucados provocados pelas estripulias da infância. Só os motivos eram distintos. Na tenra idade, as feridas eram nascidas das brincadeiras, das quedas provocadas pela curiosidade do menino que se alegrava com o mundo, do garoto que se equlibrava sobre telhados, árvores e montes.
      Naquela tarde, as feridas não eram filhas dos risos de outrora. Elas nasciam de motivos opostos. Nasciam de ódios, invejas, ressentimentos, intolerâncias. Elas eram desdobramentos da incompreensão humana, da coragem profética que seu Filho teve de anunciar ao mundo o Reino de Deus, de revelar-se como Filho do Altíssimo.
      Não houve muito tempo para o encontro. A multidão crescia e se aglomerava nas proximidades do Condenado. Os soldados romanos pareciam ainda mais violentos. Era necessário manter a ordem. Algumas pessoas estavam raivosas. Mesmo sem motivos, cuspiam sobre o rosto Dele. Os insultos nasciam de razões desconhecidas. O coração humano é um depósito de mistérios. A multidão encorajava a mesquinharia particular de cada homem e mulher e fazia com Ele aquele trajeto. É certo que muita gente fez daquele instante uma oportunidade de catarse.
       Irrompendo a muralha humana que O rodeava, Maria chegou perto de Jesus. Ele se assustou ao vê-la. Breve parada durante a subida dolorosa. A vida inteira precisou se acomodar naquela pequena fração de tempo.
       Dele uma só palavra, nascida da dor, coberta de lágrimas: "Mãe!". Ela respondeu. "Estou aqui, meu filho!". E depois o silêncio. O olhar penetrando corpos e desvendando almas, rasgando o histórico da encarnação, alcançando o mistério que um dia foi comunicado por um anjo e que os entrelaçou, unindo assim, definitivamente, o tempo e a eternidade.
       Ela buscou suas mãos, Levou-as na direção dos lábios e as beijou. Logo em seguida começou a acariciá-las. "O que fizeram com você, meu filho!" Ele nada disse. Apenas fixou nela o olhar e permitiu que as lágrimas rolassem como nos tempos da infância. A multidão se calou. Ela o abraçou com delicadeza. O sangue do filho foi aos poucos manchando as vestes da mãe. O sangue de sua continuidade, o que um dia lhe fora dado no ventre, agora lhe era devolvido de outra forma, envolvido por significados tão profundos que só o tempo poderá desvendá-los.
       Abraçados, ficaram um breve momento em silêncio. O que foi dito naquele abraço? Coisas que as palavras não sabem dizer. Confissões, memórias, súplicas. Abraços últimos são sempre fartos de revelações.
      Antes que os soldados atentassem contra sua mãe, Ele a beijou e pediu que O deixasse prosseguir. Ela fez o que sempre fez. Não ousou retê-lo. Nunca esqueceu a regra humana de que a pertença do corpo é temporária. No anúncio que o anjo lhe fizera estava subentendido que não seria fácil ser mãe de Deus. Também tinha viva no coração a profecia de Simeão, de que uma espada de dor lhe transpassaria o coração. Naquele dia a triste profecia se cumpria.
      Mas, antes de recomeçar a caminhada, o inesperado aconteceu. Vendo sua mãe se afastar, manteve os olhos firmes na direção em que ela caminhava. Os soldados O empurraram com brutalidade, forçando-O a recomeçar sua subida.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

... tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...


Muitos Protestantes argumentam que: "Esta pedra em Mt 16 não é Pedro. O original grego do nome Pedro é Petrus, que significa “pedrinha, pedregulho”. Esta afirmação está correta?

O grego tem estrutura de linguagem totalmente diferente do português.

O português possui dois gêneros (masculino e feminino); o grego possui quatro gêneros (masculino, feminino, neutro e dual). O português não possui declinações, o grego possui declinações e casos, denominados: nominativo, genitivo, dativo... - (Vou explicar, para que você entenda: Os casos são as várias formas que a palavra assume, de acordo com sua função sintática na frase, isto é, sujeito, objeto direto, indireto... ).

Assim temos várias formas da mesma palavra Jesus: ιησους - ιησουν – ιησου (Iessous - Iessoun - Iesson )... ; análogas ao latim: Iesu - Iesus - Iesum). Ficou claro?

Conforme exposto acima, de acordo com o 'caso', pedra em grego assume várias formas: πετρος (petros), πετρα (petra). Estas variações registradas em Mt 16,18, derivam, pois, de sua função sintática: Petros é do caso 'nominativo'(Usado para 'sujeito' e 'predicativo do sujeito'- é o caso aqui empregado); e petra é do 'dativo'(Adjunto adverbial). Mas a mesma palavra: pedra.

Mas a falsidade deste argumento pode ser demonstrada, de maneira mais fácil e irrefutável, comparando com outros textos, veja: - A língua falada por Jesus não era o grego, e sim aramaico. Percorrendo o Novo Testamento, você encontrará diversas passagens, chamando Pedro de Cefas. E Cefas (ou Kefas) não é grego, mas aramaico. Sabemos que o Evangelho, segundo São Mateus, foi escrito em aramaico, só depois traduzido para o grego.

Mas Pedro é chamado de CEFAS, em muitas outras passagens: Jo 1,42; 1Cor 1,12; 3,22; 9,5; 15,5; Gl 1,18; 2,9; 2,11; 2,14. o que não deixa dúvida de que Pedro é Cefas (Cefas = pedra grande e maciça, no aramaico). Para pedrinha, o aramaico possui o termo 'evna'.

- Agora não precisa dizer mais nada: Cefas ou Kefas é pedra, quer queiram, quer não.

Mas ainda tem mais: Veja algumas interpretações dos cristãos dos primeiros séculos da Igreja.

Tatiano, o Sírio: "Simão Cephas respondeu e disse, 'tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo. Jesus respondeu dizendo-lhe: 'Bendito és, Simão, filho de Jonas: não foram a carne nem o sangue quem te revelaram, mas o meu Pai que está no céu, E eu também te digo que és Cephas, e sobre esta rocha eu construirei a Minha Igreja; e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela". (Diatsseron 23, 170 d. C);

Vejamos, agora, um trecho de Tertuliano: "Teria algo sido retido ao conhecimento de Pedro, a quem se chamou 'a rocha sobre a qual a Igreja seria construída', com o poder de 'desligar e ligar no céu e na terra'?" (Demurrer Against the Heretics 22, 200 d. C).(Idem);

São Cipriano Bispo de Cartago: (Mártir em +258) diz: "Cristo edifica a Igreja sobre Pedro. Encarrega-o de apascentar-lhe as ovelhas. A Pedro é entregue o primado para que seja uma Igreja e uma cátedra de Cristo. Quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual foi fundada a Igreja, não pode pensar em pertencer à Igreja de Cristo" (De un. Eccl. cap. IV).
 


domingo, 14 de junho de 2015

Oração de Combate Espiritual - São Miguel Arcanjo

Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo Dia após Dia,estou a travar uma batalha. Em um campo desconhecido, sinto os ataques, Mas não posso ver...Meu corpo esta cansado e desacreditado e em ti busco forças...

Peço Jesus que o sangue que de ti foi derramado, corra em minhas veias nesse momento e me revigore para a luta limpando e cicatrizando minhas feridas e colocando em fuga o inimigo que um dia fez de mim o seu refém, que a luz que vem do espírito santo cegue cada Demônio que ouse para mim olhar os deixando perdidos e sofrendo em seu próprio mal caindo em suas próprias armadilhas.
 
Que sua Cruz marque em meu peito a vitória e meu coração sinta a sua presença a cada batida, ao meu lado direito clamo pela presença de São Miguel Arcanjo e sua milícia caçando cada entidade que se aproxima de mim ou aqueles que amo, e anulando todo tipo de trabalho, bruxaria ou orações em centros espíritas e Umbanda que foram feitas a favor ou contra mim, ao meu lado esquerdo peço a presença de São Bento intercedendo por esse momento e invalidando as ciladas que o demônio coloca em nossos caminhos ou que um dia foi colocado e por inocência fui pego.
 
Acima de mim oro pela presença de minha mãe Nossa senhora a Virgem Maria que me cobre em seu manto e me protege de cada intuito maligno de cada tentativa de violência física ou espiritual a qual o antigo inimigo vem tramando contra mim, minha alma pede que toda serpente maligna que rasteja a espera do momento do ataque sinta a dor do esmagamento para que nunca esqueça de quem eu sou filho e o que está por vir como retaliação ao que me foi feito, convoco todos os anjos e Santos que fiquem atrás de mim com suas espadas fundidas em oração e unção a espera da batalha.
 
Pai amado , Pai querido que minha oração caia como um bombardeio no campo que agora estou e que apenas os seus filhos queridos fiquem de pé perseverando até o momento de sua chegada.