segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Se todas as pessoas sabem os mandamentos, então por que elas pecam?


Os 10 mandamentos nos falam das “regras” e contribuem para uma boa convivência, onde nós não ferimos ninguém e nem somos feridos por ninguém. Seja no trânsito, seja na vida.

Mas, será que devemos considerar os 10 mandamentos apenas como “A Grande Tábua das Regras”? Será que devemos deixar de fazer coisas apenas porque “a nossa religião não permite”?

Para responder essas perguntas, podemos olhar para as nossas próprias vidas, para as coisas corriqueiras, coisas (ou regras) que certamente você nem percebe que estão lá, mas estão.

Por exemplo: com que  frequência você costuma colocar o dedo em uma tomada?

Pergunta estranha, não?

É óbvio que você não tem o costume de colocar o dedo na tomada! (Não é?)

Não sei se você se lembra, mas algum dia alguém te disse que você não podia colocar o dedo na tomada. Sem te dar muitas explicações. No máximo, te disseram que dava choque e pronto.

E essa era apenas uma regra que você tinha que seguir. Não foi assim?

Pois eu vou te dizer o que aconteceu comigo: tinha eu 6 ou 7 anos de idade, e eu estava sozinho no quarto quando percebi que havia um plug no chão. Um plug de tomada, desencapado, com os fios à mostra. Então eu não tive dúvida, havia chegado a hora de eu transgredir a regra e descobrir o que era “o tal do choque”, na realidade. Enfiei o plug na tomada e coloquei o meu dedo na parte desencapada… e obviamente levei o maior choque! (hehehe).

Pronto! Agora eu sabia o que significava a palavra “choque”, e depois disso nunca mais coloquei o dedo na tomada.

Mas de toda essa história eu aprendi algo valioso, algo que eu só pude entender depois de adulto e consciente dos meus atos: eu só coloquei o dedo na tomada porque alguém me disse que eu não poderia fazer isso. Porque, se ninguém nunca me tivesse dito isso, jamais passaria pela minha cabeça a ideia insana de fazer tal coisa! Mas algum dia, alguém querendo me prevenir, me ditou uma regra, e justamente essa regra – que deveria me manter longe do perigo – que me instigou a fazer algo errado.

Incrível, não?

Eu tenho certeza de que algum dia isso aconteceu na sua vida também: alguém (seja a sua mãe, sua religião ou a sociedade) te proibiu de fazer algo, e essa proibição que era pra ser algo bom, que te protegia (como comentamos no primeiro texto da série) acabou te levando para a transgressão.

Certamente você já ultrapassou o limite de velocidade de alguma avenida, ou tentou ter acesso a alguma revista pornográfica antes de completar dezoito anos só porque alguém te disse que isso era proibido. Ou então você foi mais além: já transou com uma mulher/um homem compromissado, ou já fez isso sendo você o compromissado, só porque “o proibido parecia ser mais gostoso”. Ou talvez você tenha ido ainda mais além: de tanto alguém dizer que é proibido fumar maconha, você teve que fumar pela primeira vez para matar a curiosidade.

Viu, somos iguais! Não interessa se você enfiou o dedo na tomada ou se você se “enfiou uma amante dentro de casa”. Você fez isso por outros motivos, óbvio! Mas também porque algum dia alguém te disse que isso era proibido, e essa regra despertou em você uma curiosidade, um desejo por fazer aquilo.

Há 2 mil anos, o apóstolo Paulo já havia percebido isso, e um dia ele comentou isso em uma carta que ele enviou à igreja de Roma:

“Que diremos então? A lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a lei não dissesse: “Não cobiçarás”. Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. Pois, sem a lei, o pecado está morto.” (Romanos 7, 7-8)

Esse é um efeito colateral da lei. Sem querer, ela acaba nos apresentando o pecado quando nos diz “não faça isso”. Assim como no meu caso do plug da tomada: eu nem sabia que era possível enfiar o dedo na tomada, até que algum dia alguém querendo me prevenir de um mal acabou me “dando a ideia”.

Mas a lei em si não nos faz pecar. Óbvio que não! Pois a lei, apesar de me apresentar a cobiça, por exemplo, ela não me manda cobiçar. Pelo contrário, ela me proíbe, e me dá motivos para que eu siga sua proibição.

Então, por que eu peco, mesmo conhecendo a lei de Deus?

Leia com atenção esse trecho que Paulo escreveu aos Romanos:

“Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. Pois, sem a lei, o pecado está morto. Antes, eu vivia sem a lei, mas quando o mandamento veio, o pecado reviveu, e eu morri. Descobri que o próprio mandamento, destinado a produzir vida, na verdade produziu morte. Pois o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, enganou-me e por meio do mandamento me matou. De fato a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom. E então, o que é bom se tornou em morte para mim? De maneira nenhuma! Mas, para que o pecado se mostrasse como pecado, ele produziu morte em mim por meio do que era bom, de modo que por meio do mandamento ele se mostrasse extremamente pecaminoso.” (Romanos 7, 8-13)
Nesse trecho, Paulo ilustra o pecado com um ser independente, como alguém que vive dentro de mim, tem vontades próprias e ainda consegue me convencer das suas vontades. Repare que ele atribui ações ao pecado. Ele diz que “o pecado produziu”, “o pecado reviveu”, “o pecado me enganou”. É como se o pecado fosse uma outra pessoa dentro de mim. E pior: uma pessoa capaz de dominar minhas vontades.

Tiago também nos dá uma definição de pecado que nos dá medo:

“Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte.” (Tiago 1, 13-15)
Tiago afirma que a cobiça nos arrasta e nos seduz, ou seja, ela nos convence do pecado. E depois disso, ela dá luz, ou seja, gera o pecado, que se consuma e nos mata.

Nós, homens sabemos muito bem como isso se dá. Somos facilmente seduzidos pelo nosso olhar, assim como as mulheres são facilmente seduzidas pelas palavras.

Imagine que eu estou tranquilamente navegando no meu perfil em uma rede social qualquer quando através de um compartilhamento de um amigo, ou de uma propaganda ou post de uma página, chega até mim a imagem de uma mulher seminua em uma pose sugestiva, e um link em azul, pedindo para ser clicado. Eu sei que não devo: seja porque sou cristão, seja porque tem muita gente ainda acordada em casa, ou então pelo risco de infectar meu computador com algum tipo de vírus.

Enquanto isso, imagine uma mulher – descontente com seu casamento e com a forma grosseira que o seu marido a trata – recebendo um buquê de flores e um lindo cartão com palavras sedutoras do chefe no trabalho. Ela também sabe que não deve ceder a tentação, porque é mãe, ou porque a sociedade e a sua religião a condenaria.

Durante algumas frações de segundos, uma guerra acontece em nossa mente: sabemos que não podemos, mas sabemos que nós queremos.

Queremos… presta atenção nesta palavra. Pois é ela que representa a “cobiça” (ou concupiscência) da qual Tiago fala. A nossa inclinação por tudo aquilo que é terreno, por satisfazer imediatamente qualquer prazer do nosso corpo, independentemente da existência de regras que proíbam ou regulam esse ato. É a cobiça sexual por uma mulher, ou por pisar mais fundo no acelerador ou até mesmo por romper a dieta. Qualquer coisa que satisfaça o nosso corpo, que lhe dê algum prazer.

É nesse momento que somos “arrastados e seduzidos”. É nesse momento que nos é mostrado todas as vantagens que teremos ao ceder a tentação. Assim como aconteceu com o próprio Jesus, que foi “arrastado” até o monte e sofreu a oferta de sedução do diabo:

“Depois, o diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E lhe disse: “Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar”. (Mateus 4, 8-9)
 
Uma vez seduzidos, acabamos cedendo a tentação, e é nessa hora que a “cobiça dá a luz ao pecado”. Quando menos percebo, já estou naquele site impróprio, vendo imagens que sei que não deveria estar vendo. Mesmo que eu tenha o conhecimento da regra “não verás pornografia”, mesmo que eu saiba de todo o mal que a pornografia pode causar em meu casamento, mesmo que eu saiba todos os números e dados que retrata a calamidade que é o problema da exploração sexual de mulheres, mesmo que eu tenha dezenas de versículos decorados, mesmo que eu seja o escritor do “Porque pecar é pecado”, nada disso importa, e nada disso é o suficiente. Na verdade, eu vou me lembrar de tudo isso e vou desejar fechar aquela página imediatamente, mas aquela “guerrinha” vai acontecer de novo, e eu vou perder, e vou acessar mais uma foto. E mais uma… e mais uma…. e ainda outra… e quando eu perceber, já estarei a horas preso a um site de pornografia. Morto. Logo serei acusado pelo mesmo diabo que me levou para lá. Serei julgado e condenado indigno de ser cristão, de ser humano, cidadão, marido e escritor do “Porque pecar é pecado”. Talvez eu jamais me recupere. Talvez então eu não me ache mais em condições de continuar escrevendo um livro sobre pecado. E as minhas noites em frente a um computador se resumirá ao prazer falso de mulheres feitas por pixels de computador. Livro incompleto, casamento caminhando para a destruição, caráter de cidadão indo por água a baixo… Essa é a morte da qual Tiago tanto falou.

Assim como a mulher da nossa história: uma vez seduzida pelas lindas palavras do seu chefe, será arrastada até o motel combinado no bilhete. Ela não foi arrastada pelo seu chefe, nem pela situação precária do seu casamento, tampouco pela necessidade de declarar o direito da liberdade feminina. Como disse Tiago, ela foi arrastada pela cobiça. Repare, ela não foi andando, ela foi arrastada. Ela chegou até aquele motel, e a cobiça de saber se ela ainda era mulher o suficiente na cama, talvez para aliviar sua consciência diante do seu marido ruim, ou então a cobiça de ser amada, ou simplesmente a cobiça de “gozar” acabou dando a luz ao pecado do adultério: uma bela e tórrida tarde de sexo. Uma tarde tórrida, mas depois daquela tarde ela será julgada e condenada, considerada indigna de ser mãe, mulher, esposa, funcionária. Antes de ser taxada pelos piores nomes pela sociedade, ela será taxada por ela mesma, pela consciência do certo e do errado que ela tem em si.

Tá vendo? Nos dois exemplos acima, tínhamos a consciência do certo e do errado. Tínhamos a lei, a regra. Mas nada disso foi suficiente para nos livrar. Fomos arrastados e seduzidos até o pecado, sem ao menos poder exercer o nosso direito de escolha. Escravizados, como já disse aqui em capítulos anteriores. Algemados e levados até o pecado.

E é assim que o jovem que tenta sair da droga não consegue. É assim que o homem “mulherengo” não consegue mudar de vida, mesmo sabendo que agora tem mulher e filhos. É assim que o ex-presidiário acaba voltando para o crime, mesmo quando quer viver vida nova. E é assim que até mesmo aquele renomado pastor não resiste ao olhar para os cofres cada vez mais cheios da sua igreja, e acaba cedendo.

Que guerra é essa! Sabemos o que é certo, queremos fazer o certo, mas ainda assim fazemos o errado!

Paulo já falava sobre isso em Romanos 7. Leia com atenção:

“Sabemos que a lei é espiritual; eu, contudo, não o sou, pois fui vendido como escravo ao pecado. Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio. E, se faço o que não desejo, admito que a lei é boa. Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros.” (Romanos 7, 14-23)
E Paulo, que era um dos maiores pregadores que já existiu falava isso dele mesmo. Ele, Paulo, olhava para si e via tudo isso.

E, após fazer essa análise, Paulo termina o capítulo com uma frase dura, se considerando miserável:

“Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Romanos 7, 24)
Que miserável que somos! Quem nos libertará do corpo sujeito a esta morte ?


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Exaltação da Santa Cruz

 
Quando exaltamos a santa cruz, exaltamos o próprio Cristo
 
A Festa da Exaltação da Santa Cruz, celebrada pela Igreja no dia 14 de setembro, nos faz recordar que por meio dela Cristo foi exaltado e vencedor. Para os cristãos a cruz é o maior símbolo da fé, por intermédio do sinal da cruz somos marcamos no nosso batismo como filhos de Deus, pertencentes a Jesus Cristo.
 
Conta-se, segundo a tradição cristã, que durante uma peregrinação a Jerusalém, Santa Helena mandou fazer pesquisas para encontrar a verdadeira cruz de Cristo. E ordenou que fosse construída a Igreja do Santo Sepulcro no local em que o objeto-símbolo de nossa salvação foi encontrado. No dia 14 de setembro daquele ano a cruz foi posta em exposição para que os fiéis pudessem orar diante dela e venerá-la.

Reverenciar a cruz é ter a certeza de que reverenciamos não apenas um objeto, mas Nosso Salvador Jesus Cristo, que, por amor a nós, deixou-se crucificar para que vencêssemos a morte causada pelo pecado. A cruz serviu de altar para o sacrifício de Jesus. “Se fizermos o sinal da cruz com fé, ele será para nós um escudo”, escreveu Santo Hipólito.


A Festa da Exaltação da Santa Cruz, é a Festa da Exaltação do Cristo vencedor. Para nós cristãos, a cruz é o maior símbolo de nossa fé, cujos traços nós nos persignamos desde o início do dia, quando levantamos, até o fim da noite ao deitarmos. Quando somos apresentados à comunidade cristã, na cerimônia batismal, o primeiro sinal de acolhida é o sinal da cruz traçado em nossa fronte pelo padre, pais e padrinhos, assinalando-nos para sempre com Cristo.

A Cruz recorda o Cristo crucificado, o seu sacrifício, o seu martírio que nos trouxe a salvação. Assim sendo, a Igreja há muito tempo passou a celebrar, exaltar e venerar a Cruz, inclusive como símbolo da árvore da vida que se contrapõe à árvore do pecado no paraíso, quando a serpente do paraíso trouxe a morte, a infelicidade a este mundo, incitando os pais a provarem o fruto da árvore proibida. (Gn 3,17-19)

No deserto, a serpente também provocou a morte dos filhos de Israel, que reclamavam contra Deus e contra Moisés (Nm 21,4-6). Arrependendo-se do seu pecado, o povo pediu a Moisés que intercedesse junto ao Senhor para livrá-los das serpentes. Assim, o Senhor, com sua bondade infinita, ordenou a Moisés que erguesse no centro do acampamento um poste de madeira com uma serpente de bronze pendurada no alto, dizendo que todo aquele que dirigisse seu olhar para a serpente de bronze se curaria. (Nm 21,8-9)

Esses símbolos do passado, muito conhecidos pelo povo (serpente, árvore, pecado, morte), nos dizem que na Festa da Exaltação da Santa Cruz, no lugar da serpente de bronze pendurado no alto de um poste de madeira, encontramos o próprio Jesus levantado no lenho da Cruz. Se o pecado e a morte tiveram sua entrada neste mundo através do demônio (serpente do paraíso) e do deserto, a bênção, a salvação e a vida eterna vêm do Cristo levantado no alto da Cruz, de onde Ele atrai para si os olhares de toda a humanidade. Assim, a Igreja canta na Liturgia Eucarística de Festa: “Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós, por Ti redimidos, te cantamos louvor!”

A Cruz não é uma divindade, um ídolo feito de madeira, barro ou bronze, mas sim, santa e sagrada, onde pendeu o Salvador do mundo. Traçando o sinal da cruz em nossa fronte, a todo o momento nós louvamos e bendizemos a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, agradecendo o tão grande bem e amor que, pela CRUZ, o Senhor continua a derramar sobre nós.

Devemos vê-la não como um amuleto, mas como um símbolo santo e sagrado, no qual encontramos a salvação. Quando fazemos o sinal da cruz com fé, respeito e amor nós estamos louvando e bendizendo a Santíssima Trindade e nos protegendo contra o inimigo de Deus.

Quando exaltamos a santa cruz, exaltamos o próprio Cristo e proclamamos a vitória sobre o pecado. Pela cruz, que significa morte das próprias vontades, humilhação e obediência à vontade de Deus, nos santificamos, pois deixamos o nosso querer de lado para obedecer aos desígnios de Deus.

Exaltemos a santa cruz de Cristo, Nosso Salvador!



 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Encontro de Maria com Seu Filho


     Depois de Verônica, o momento mais marcante da subida. Parada à beira do caminho estava Maria, Sua mãe.
      A cena era triste. Trinta e três anos a distanciavam do menino ao colo, das delicadezas maternas que a configuravam como sentinela do Divino homem, missão recebida sob as imposições históricas que não lhe permitiam grandes conquistas, mas que a devolviam ao lar com o poder de redimir o mundo a partir de pequenos gestos. Ninguém sabia. Ninguém sequer intuía, mas, naquela casa simples, sob a tutela de um carpinteiro fiel e de uma nazarena incrivelmente bela, Deus era conduzido por mãos humanas.
      Era amamentando, tomando aos braços, curado de suas tristezas, aconchegado no calor dos corpos quando as noites eram frias, e banhando em águas frescas quando as noites eram quentes.
      Nos assombros daquela tarde tenebrosa, é certo que as memórias da mulher estavam à flor da pele. A tragédia de Seu Filho lhe favorecia um retorno no tempo.
       Os joelhos esfolados do homem crescido que dramaticamente subia na direção do calvário eram os mesmos em que um dia ela aplicou curativo nos machucados provocados pelas estripulias da infância. Só os motivos eram distintos. Na tenra idade, as feridas eram nascidas das brincadeiras, das quedas provocadas pela curiosidade do menino que se alegrava com o mundo, do garoto que se equlibrava sobre telhados, árvores e montes.
      Naquela tarde, as feridas não eram filhas dos risos de outrora. Elas nasciam de motivos opostos. Nasciam de ódios, invejas, ressentimentos, intolerâncias. Elas eram desdobramentos da incompreensão humana, da coragem profética que seu Filho teve de anunciar ao mundo o Reino de Deus, de revelar-se como Filho do Altíssimo.
      Não houve muito tempo para o encontro. A multidão crescia e se aglomerava nas proximidades do Condenado. Os soldados romanos pareciam ainda mais violentos. Era necessário manter a ordem. Algumas pessoas estavam raivosas. Mesmo sem motivos, cuspiam sobre o rosto Dele. Os insultos nasciam de razões desconhecidas. O coração humano é um depósito de mistérios. A multidão encorajava a mesquinharia particular de cada homem e mulher e fazia com Ele aquele trajeto. É certo que muita gente fez daquele instante uma oportunidade de catarse.
       Irrompendo a muralha humana que O rodeava, Maria chegou perto de Jesus. Ele se assustou ao vê-la. Breve parada durante a subida dolorosa. A vida inteira precisou se acomodar naquela pequena fração de tempo.
       Dele uma só palavra, nascida da dor, coberta de lágrimas: "Mãe!". Ela respondeu. "Estou aqui, meu filho!". E depois o silêncio. O olhar penetrando corpos e desvendando almas, rasgando o histórico da encarnação, alcançando o mistério que um dia foi comunicado por um anjo e que os entrelaçou, unindo assim, definitivamente, o tempo e a eternidade.
       Ela buscou suas mãos, Levou-as na direção dos lábios e as beijou. Logo em seguida começou a acariciá-las. "O que fizeram com você, meu filho!" Ele nada disse. Apenas fixou nela o olhar e permitiu que as lágrimas rolassem como nos tempos da infância. A multidão se calou. Ela o abraçou com delicadeza. O sangue do filho foi aos poucos manchando as vestes da mãe. O sangue de sua continuidade, o que um dia lhe fora dado no ventre, agora lhe era devolvido de outra forma, envolvido por significados tão profundos que só o tempo poderá desvendá-los.
       Abraçados, ficaram um breve momento em silêncio. O que foi dito naquele abraço? Coisas que as palavras não sabem dizer. Confissões, memórias, súplicas. Abraços últimos são sempre fartos de revelações.
      Antes que os soldados atentassem contra sua mãe, Ele a beijou e pediu que O deixasse prosseguir. Ela fez o que sempre fez. Não ousou retê-lo. Nunca esqueceu a regra humana de que a pertença do corpo é temporária. No anúncio que o anjo lhe fizera estava subentendido que não seria fácil ser mãe de Deus. Também tinha viva no coração a profecia de Simeão, de que uma espada de dor lhe transpassaria o coração. Naquele dia a triste profecia se cumpria.
      Mas, antes de recomeçar a caminhada, o inesperado aconteceu. Vendo sua mãe se afastar, manteve os olhos firmes na direção em que ela caminhava. Os soldados O empurraram com brutalidade, forçando-O a recomeçar sua subida.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

... tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...


Muitos Protestantes argumentam que: "Esta pedra em Mt 16 não é Pedro. O original grego do nome Pedro é Petrus, que significa “pedrinha, pedregulho”. Esta afirmação está correta?

O grego tem estrutura de linguagem totalmente diferente do português.

O português possui dois gêneros (masculino e feminino); o grego possui quatro gêneros (masculino, feminino, neutro e dual). O português não possui declinações, o grego possui declinações e casos, denominados: nominativo, genitivo, dativo... - (Vou explicar, para que você entenda: Os casos são as várias formas que a palavra assume, de acordo com sua função sintática na frase, isto é, sujeito, objeto direto, indireto... ).

Assim temos várias formas da mesma palavra Jesus: ιησους - ιησουν – ιησου (Iessous - Iessoun - Iesson )... ; análogas ao latim: Iesu - Iesus - Iesum). Ficou claro?

Conforme exposto acima, de acordo com o 'caso', pedra em grego assume várias formas: πετρος (petros), πετρα (petra). Estas variações registradas em Mt 16,18, derivam, pois, de sua função sintática: Petros é do caso 'nominativo'(Usado para 'sujeito' e 'predicativo do sujeito'- é o caso aqui empregado); e petra é do 'dativo'(Adjunto adverbial). Mas a mesma palavra: pedra.

Mas a falsidade deste argumento pode ser demonstrada, de maneira mais fácil e irrefutável, comparando com outros textos, veja: - A língua falada por Jesus não era o grego, e sim aramaico. Percorrendo o Novo Testamento, você encontrará diversas passagens, chamando Pedro de Cefas. E Cefas (ou Kefas) não é grego, mas aramaico. Sabemos que o Evangelho, segundo São Mateus, foi escrito em aramaico, só depois traduzido para o grego.

Mas Pedro é chamado de CEFAS, em muitas outras passagens: Jo 1,42; 1Cor 1,12; 3,22; 9,5; 15,5; Gl 1,18; 2,9; 2,11; 2,14. o que não deixa dúvida de que Pedro é Cefas (Cefas = pedra grande e maciça, no aramaico). Para pedrinha, o aramaico possui o termo 'evna'.

- Agora não precisa dizer mais nada: Cefas ou Kefas é pedra, quer queiram, quer não.

Mas ainda tem mais: Veja algumas interpretações dos cristãos dos primeiros séculos da Igreja.

Tatiano, o Sírio: "Simão Cephas respondeu e disse, 'tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo. Jesus respondeu dizendo-lhe: 'Bendito és, Simão, filho de Jonas: não foram a carne nem o sangue quem te revelaram, mas o meu Pai que está no céu, E eu também te digo que és Cephas, e sobre esta rocha eu construirei a Minha Igreja; e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela". (Diatsseron 23, 170 d. C);

Vejamos, agora, um trecho de Tertuliano: "Teria algo sido retido ao conhecimento de Pedro, a quem se chamou 'a rocha sobre a qual a Igreja seria construída', com o poder de 'desligar e ligar no céu e na terra'?" (Demurrer Against the Heretics 22, 200 d. C).(Idem);

São Cipriano Bispo de Cartago: (Mártir em +258) diz: "Cristo edifica a Igreja sobre Pedro. Encarrega-o de apascentar-lhe as ovelhas. A Pedro é entregue o primado para que seja uma Igreja e uma cátedra de Cristo. Quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual foi fundada a Igreja, não pode pensar em pertencer à Igreja de Cristo" (De un. Eccl. cap. IV).
 


domingo, 14 de junho de 2015

Oração de Combate Espiritual - São Miguel Arcanjo

Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo Dia após Dia,estou a travar uma batalha. Em um campo desconhecido, sinto os ataques, Mas não posso ver...Meu corpo esta cansado e desacreditado e em ti busco forças...

Peço Jesus que o sangue que de ti foi derramado, corra em minhas veias nesse momento e me revigore para a luta limpando e cicatrizando minhas feridas e colocando em fuga o inimigo que um dia fez de mim o seu refém, que a luz que vem do espírito santo cegue cada Demônio que ouse para mim olhar os deixando perdidos e sofrendo em seu próprio mal caindo em suas próprias armadilhas.
 
Que sua Cruz marque em meu peito a vitória e meu coração sinta a sua presença a cada batida, ao meu lado direito clamo pela presença de São Miguel Arcanjo e sua milícia caçando cada entidade que se aproxima de mim ou aqueles que amo, e anulando todo tipo de trabalho, bruxaria ou orações em centros espíritas e Umbanda que foram feitas a favor ou contra mim, ao meu lado esquerdo peço a presença de São Bento intercedendo por esse momento e invalidando as ciladas que o demônio coloca em nossos caminhos ou que um dia foi colocado e por inocência fui pego.
 
Acima de mim oro pela presença de minha mãe Nossa senhora a Virgem Maria que me cobre em seu manto e me protege de cada intuito maligno de cada tentativa de violência física ou espiritual a qual o antigo inimigo vem tramando contra mim, minha alma pede que toda serpente maligna que rasteja a espera do momento do ataque sinta a dor do esmagamento para que nunca esqueça de quem eu sou filho e o que está por vir como retaliação ao que me foi feito, convoco todos os anjos e Santos que fiquem atrás de mim com suas espadas fundidas em oração e unção a espera da batalha.
 
Pai amado , Pai querido que minha oração caia como um bombardeio no campo que agora estou e que apenas os seus filhos queridos fiquem de pé perseverando até o momento de sua chegada.  

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Cinco Santos que lutaram contra o demônio

O mundo espiritual é real e nele ocorrem verdadeiros combates. Em algumas partes da bíblia são mencionadas as lutas que existem contra o demônio e a carne, porque quanto mais próxima a Deus a pessoa, mais será tentada.

A seguir, foram selecionadas algumas histórias pela página ChurchPop.com, o objetivo destas histórias não e gerar medo, mas serve como advertência de que Satanás e as tentações ao pecado são reais, embora geralmente não sejam visíveis.

Antes queremos deixar duas passagens bíblicas para entender melhor o contexto: “Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. (Ef 6, 11-12)

“Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar”. (1 Pedro 8)

1) Santo Antão ‘o Grande’: “O leão rugia, desejando atacar”

Este santo viveu durante os séculos III e IV. Foi um dos primeiros monges a retirar-se ao deserto para viver entregue ao jejum e à oração. A Igreja conhece sua história graças ao seu biógrafo São Atanásio.

“Quando visitávamos Santo Antão nas ruínas onde vivia escutava tumulto, muitas vozes e o choque de armas. Também viam que durante a noite apareciam bestas selvagens e o santo combatia contra elas através da oração”, conta Atanásio.

Numa certa ocasião, aos seus 35 anos, Santo Antão decidiu passar a noite sozinho numa tumba abandonada. Então apareceu ali um grupo de demônios e o feriram. Os arranhões do demônio lhe impediram levantar-se do chão. O ermitão comentava que a dor causada por essa tortura demoníaca não podia ser comparada com nenhuma ferida causada pelo homem.

No dia seguinte, um amigo seu o encontrou e o levou ao povoado mais próximo para curá-lo. Entretanto, quando o santo recuperou os sentidos pediu ao seu amigo que o levasse de volta à tumba. Ao deixá-lo, Santo Antão gritou:

“Sou Antão e aqui estou. Não fugirei de suas chicotadas e de nenhuma dor ou tortura, nada me separará do amor de Cristo”. São Atanásio relata que os demônios retornaram e ocorreu o seguinte:

Escutou-se uma trovoada, parecia o barulho de um terremoto, que sacudiu o lugar inteiro e os demônios saíram das quatro paredes em formas monstruosas de animais e répteis. O lugar desta maneira ficou cheio de leões, ursos, leopardos, touros, serpentes, víboras, escorpiões e lobos. O leão rugia, querendo atacar; o touro se preparava para atacar com seus chifres; a serpente se arrastava procurando um lugar de ataque e o lobo rosnava ao redor dele. Todos estes sons eram assustadores.

Embora Santo Antão arquejasse de dor, enfrentou os demônios dizendo: “se vocês tivessem algum poder, bastava que somente um de vocês viesse, mas como Deus os criou fracos, vocês querem me assustar com a quantidade de demônios: e o que comprova a sua debilidade é que adotaram a forma de animais irracionais”.

“Se forem capazes, e se tiverem recebido um poder de ir contra mim, ataquem-me de uma vez. Mas se não são capazes, porque me perturbam em vão? Porque minha fé em Deus é meu refúgio e a muralha que me salva de vocês”.

De repente, o teto do lugar foi aberto e uma luz brilhante iluminou a tumba. Os demônios desapareceram e as dores pararam. Quando percebeu que Deus o salvou, ele rezou: “Onde estavas? Por que não apareceste desde o começo e me liberaste das dores? ”.

Deus respondeu-lhe: “Antão, eu estava ali, mas esperei para ver-te brigar. Vi como perseveraste na luta, e não caíste, sempre estarei disposto a socorrer-te e o teu nome será conhecido em todas partes”.
Depois de escutar as palavras do Senhor, o monge se levantou e orou. Então recebeu tanta força que sentiu que no seu corpo tinha mais poder do que antes.

2) São Padre Pio: “Estes demônios nunca deixam de golpear-me”

Foi um sacerdote italiano que nasceu no final do século XIX e morreu em 1968. Embora realizasse muitos milagres e recebesse os estigmas, o Padre Pio também sofreu ataques frequentes do demônio.

Segundo o Pe Gabriele Amorth, famoso exorcista da diocese de Roma, “a grande e constante luta na vida do santo foi contra os inimigos de Deus e as almas, pois tratou de capturar sua alma”. Desde sua juventude o Padre Pio teve visões celestes, mas também sofreu ataques infernais. O Pe. Amorth explica:

“O demônio aparecia algumas vezes em forma de um gato negro e selvagem, ou de animais repugnantes: era clara a intenção de incutir o terror. Outras vezes aparecia na forma de jovens moças nuas e provocativas, que dançavam de modo obsceno; era clara a intenção de tentar o jovem sacerdote na sua castidade. Entretanto, o pior perigo era quando Satanás tentava enganar Padre Pio aparecendo como se fosse seu diretor espiritual ou aparecendo em forma de Jesus, da Virgem ou de São Francisco”.

Esta última estratégia, quando o diabo aparecia em forma de alguém bom e santo, era um problema. Isso aconteceu quando o Padre Pio percebeu que as visões eram falsas: notou certo timidez quando a Virgem e o Senhor lhe apareceram, seguida de uma sensação de paz quando a visão terminou. Além disso, disfarçado de uma forma sagrada, o diabo lhe provocou um sentimento de alegria e atração, mas quando ia embora, ele ficava triste e arrependido.

Satanás também buscava feri-lo fisicamente. O sacerdote descreveu estas dores em uma carta à um irmão, quem era seu confidente:

“Estes demônios nunca deixam de atacar-me, inclusive fazem com que eu caia da cama. Também rasgam minhas vestimentas para açoitar-me! Mas já não me assustam porque Jesus me ama e ele sempre me levanta e me coloca novamente na minha cama”.

O Padre Pio é testemunho de que se uma pessoa estiver perto de Deus não terá que temer a presença do demônio.

3) Santa Gema Galgani: “Suas garras brutais”

Esta Santa italiana foi uma mística que teve experiências espirituais maravilhosas.

Numa carta dirigida a um sacerdote escreveu: “Durante dois dias, depois de receber a Santa Comunhão, Jesus me disse: “minha filha, em breve o diabo começará uma guerra contra ti”. Estas palavras são repetidas constantemente no meu coração. Reze por mim por favor”.

Ela percebeu que a oração era a melhor maneira de defender-se contra os ataques do demônio. Em vingança, Satanás lhe atacava com fortes dores de cabeça para impedir que durma. Entretanto, apesar das fadigas Gema perseverou na oração:

“Quantos esforços este miserável faz para que eu não reze. Ontem tentou me matar, e quase conseguiu, mas Jesus veio e me salvou. Estava assustada e mantive a imagem de Cristo na minha mente”.

Uma vez, enquanto a Santa escrevia uma carta, o diabo agarrou a caneta das suas mãos, rasgou o papel e tirou a santa da cadeira onde estava sentada, agarrando-a pelos cabelos com a violência das suas “garras ferozes”.

Ela descreve outro ataque em um dos seus escritos: “O demônio se apresentou diante de mim como um gigante e me dizia: ‘Para ti já não existe esperança de salvação. Estás nas minhas mãos! ’ Eu lhe respondi que Deus é misericordioso e, portanto, nada temo. Então me bateu na cabeça e me disse: ‘Maldita seja! ’, e logo desapareceu”.

“Quando voltei para minha habitação para descansar, encontrei novamente o demônio e começou a golpear-me com uma corda com vários nós, e queria que eu gritasse que era fraca. Disse-lhe que não, e me bateu tão forte, que caí de cabeça no chão. Naquele momento pensei em invocar a Jesus: Pai eterno, em nome do preciosíssimo sangue de Jesus, livrai-me! ”.

“Não me lembro bem o que aconteceu. A besta me arrastou da minha cama e bateu na minha cabeça com tanta força que ainda estou dolorida. Perdi os sentidos e caí no chão, logo despertei. Graças a Deus! ”

Apesar dos ataques, Santa Gemma sempre teve fé em Jesus. Inclusive utilizava o humor contra Satanás. Uma vez escreveu a um sacerdote: “Tinha que ver, quando satanás fugia fazendo caretas, você morreria de rir! É tão feio!

Mas Jesus me disse que não deveria temer”.

4) São João Maria Batista Vianney: “Faz porque eu converto muitas almas para o bom Deus”

O Santo Padre de Ars nasceu na França no ano 1786. Foi um grande pregador, fazia muitas mortificações, foi um homem de oração e caridade. Tinha um dom especial para a confissão. Por isso, vinham pessoas de diferentes lugares para confessar-se com ele e escutar seus santos conselhos. Devido a seu frutífero trabalho pastoral foi nomeado padroeiro dos sacerdotes. Também combateu contra o maligno em várias ocasiões.

Uma vez, sua irmã passou a noite na sua casa, localizada ao lado da igreja. Durante a noite ela escutou raspões na parede. Foi ver o seu irmão Vianney, que estava confessando, e lhe explicou:

“Minha filha, não temas: é o resmungão. Ele não pode machucar-te. Ele me procura da maneira mais atormentadora possível. As vezes agarra os meus pés e me arrasta pelo quarto. Ele faz isto, porque eu converto muitas almas para o bom Deus”.

O demônio fazia ruídos durante horas, parecidos aos cristais, assobios e relinchos. Inclusive ficava sob a janela do santo de Ars e gritava. Seu propósito era não deixar que o sacerdote dormisse, para ficar cansado e não ficar horas no confessionário, onde salvava muitas almas das garras do maligno.

Em outra ocasião, enquanto o sacerdote de Ars se preparava para celebrar a missa, um homem lhe disse que seu dormitório estava pegando fogo. Qual foi sua resposta? “O Resmungão está furioso. Quando não consegue pegar o pássaro, ele queima a sua gaiola”. Entregou a chave para aqueles que iam ajudar a apagar o fogo. Sabia que Satanás queria impedir a missa e não o permitiu.

Deus premiou sua perseverança diante das provações com um poder extraordinário que lhe permitia expulsar demônios das pessoas possuídas.

5) Santa Teresa de Jesus: “Seus chifres estavam ao redor do pescoço do sacerdote enquanto celebrava missa”

Esta reconhecida doutora da Igreja e mística teve muitas visões espirituais. Durante suas orações e meditações, o demônio lhe aparecia.

“Uma forma abominável”, escrevia, “sua boca era horrorosa”. “Não tinha sombra, mas estava coberto pelas chamas de fogo”.

O demônio lhe causava também fortes dores corporais. Numa ocasião a atormentou durante cinco horas enquanto estava em oração com suas irmãs. A Santa permaneceu firme para não assustá-las.

Um dia “viu com os olhos da alma dois diabos que tinham seus chifres ao redor do pescoço do sacerdote enquanto celebrava missa”.

Inclusive para ela, estas visões eram estranhas. “Poucas vezes vi o demônio em forma corporal, frequentemente não vejo sua aparência física, mas sei que está presente.

Quais eram suas armas contra as forças do mal?

A oração, a humildade e a água bendita. Santa Teresa dizia que esta última era uma arma eficaz.

Uma vez estava num oratório e o demônio apareceu ao meu lado esquerdo. Ele me disse que agora me livrei das suas mãos, mas que ele me capturaria novamente. Ela se assustou e se benzeu. 

Entretanto, Satanás continuou perturbando-a e Teresa tomou um frasco de água benta e derramou a água sobre ele. Depois desse dia ele nunca mais voltou.

Por María Ximena Rondón
Publicado por REDAÇÃO CENTRAL(ACI) – 26/05/15

Fonte: acidigital

quarta-feira, 25 de março de 2015

Anunciação do Senhor

Deus que no decorrer dos séculos, tinha encarregado os profetas de transmitir aos homens a Sua palavra, ao chegar a plenitude dos tempos, determina enviar-lhes o Seu próprio Filho, o Seu Verbo, a Palavra feita Carne.
 
Contudo, o Pai das misericórdias quis que a Encarnação fosse precedida da aceitação por parte daquela que Ele predestinara para Mãe, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida» (Lumen gentium, 56).

No momento da Anunciação, através do Anjo Gabriel, Deus expõe portanto, a Maria os Seus desígnios. E Maria, livre, consciente e generosamente, aceita a vontade do Senhor a seu respeito, realizando-se assim o mistério da Incarnação do Verbo. Nesse momento, com efeito, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade começa a Sua existência humana. O filho de Deus faz Se Filho do Homem. O Deus Altíssimo torna-Se o «Deus connosco».

Ao celebrar este mistério, precisamente nove meses antes do Natal, a Solenidade da Anunciação orienta-nos já para o Nascimento de Cristo. No entanto, a Encarnação está intimamente unida à Redenção. Por isso, as Leituras (especialmente a segunda) introduzem-nos já no Mistério da Páscoa.

Essencialmente festa do Senhor, a Anunciação não pode deixar de ser, ao mesmo tempo, uma festa perfeitamente mariana. Na verdade, foi pelo sim de Maria que a Encarnação se realizou, a nova Aliança se estabeleceu e a Redenção do mundo pecador ficou assegurada.

“A humildade foi assumida pela majestade; a fraqueza, pela força; a mortalidade, pela eternidade.”

Com alegria contemplamos o Mistério do Deus Todo-Poderoso, que na origem do Mundo cria todas as coisas com sua Palavra, porém desta vez escolhe depender da Palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Filho Redentor:

“No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem e disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.’ Não temas , Maria, conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não conheço homem?’ Respondeu-lhe o anjo:’ O Espírito Santo descerá sobre ti. Então disse Maria: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tu palavra’” (cf. Lc 1,26-31.34s.38).

Sendo assim, hoje é o dia de proclamarmos: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14a). E fazermos memória do início oficial da Redenção de TODOS, devido à plenitude dos tempos. É o momento histórico, em que o SIM do Filho ao Pai precedeu o da Mãe: “Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10,7). Mas não suprimiu o necessário SIM humano da Virgem Santíssima.

Cumprindo desta maneira a profecia de Isaías: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14). Por isso rezemos com toda a Igreja:

“Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo”.

Fonte: Comunidade Shalom