domingo, 30 de março de 2014

Exercícios da Quaresma

Estamos no período da Quaresma, tempo litúrgico, em que a Igreja nos convida para um de exame de consciência e conversão. Claro que todo tempo litúrgico é tempo de conversão e não somente no período que se estende entre; a quarta feira de cinzas e o domingo de ramos, mas este tempo, é para nós católicos, mais forte ao clamor: " Completou se o tempo e Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho." (Mc 1,15) Mas toda ação e convite da Igreja, para este tempo, deve estar permeado do desejo interior e sincero à busca continua do “novo homem”, através de atitudes exteriores, que remetem à um interior convertido, a conversão não é somente um processo de novos costumes, mas uma atitude de vida, que vêm do interior.

“Boa coisa é a oração acompanhada de jejum, e a esmola é preferível aos tesouros de ouro escondidos”. (Tobias 12,8)
Todas ás praticas, recomendas pela Igreja neste “tempo”, possuem um dimensão de reconciliação, e busca continua do desapego, ao que feri a unidade do ser com o Criador, e com as criaturas.
 Jejum

A prática do jejum, abstinência do alimento, tão recomenda em diversos trechos do AT e NT, e sempre aconselhado pela Igreja, como uma prática de mortificação e piedade, com muitos frutos aos cristãos, é um conselho à reconciliação consigo mesmo, tem a dimensão de nos educar e a sermos “senhores” de nós mesmos. Esta prática deve esta permeada do sincero apelo à mudança de vida, pois não se trata de somente uma atitude exterior, pois seria condenável. “Passais vosso jejum em disputas e altercações, ferindo com o punho o pobre. Não é jejuando assim que fareis chegar lá em cima vossa voz." (Isaias 58,4) ou ainda “Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? - diz o Senhor Deus: É romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda espécie de jugo.” (Isaias 58,6)
 
O jejum tem como sua finalidade o desejo sincero de não sermos escravos dos sentidos, mas em entender que existe um sentido maior, em tudo, e que as paixões humanas não nos escravizam, pois buscamos o domínio de nós mesmos, nos penitenciando. 
De que jejum estamos falando? Ficar sem comer? O jejum é mais do que o deixar a refeição, ele tem como um ato concreto o não se alimentar, mas é maior do que a privação do alimento, pois o fruto é a busca daquilo que é imperecível, o Bem maior. Existem diversas formas de jejum, que juntamente com a privação do alimento, são convites à conversão, pois, ficar sem a comida e o único fruto disto, for à dor de cabeça, no final da tarde, seria uma prática somente externa, é necessário o jejum constante, o de sempre, daquilo que nos corrompe, nos impede o seguimento e a proximidade conosco e por isso com Deus, no nosso interior, no palácio Real do nosso coração
Oração

No mesmo pensamento, a oração, tem um fundamento claro de reconciliação, e esta é com Deus, na busca desta intimidade, este colóquio da criatura com seu Criador. “Atende à oração e à súplica do teu servo, Javé meu Deus! Ouve o clamor e a prece que teu servo faz diante de ti.” (II Cronicas 6,19) Com o auxílio de Deus a Igreja nestes séculos, tem diversos mestres e santos, que nos ensinaram tanto sobre esta intimidade com Deus, através da oração na busca da fonte que sacia toda a sede.
Nosso Senhor em sua vida pública, foi mestre de oração e numa via continua de busca da comunhão com Deus pai Criador, Ele mesmo sendo Deus como diz o credo: “Creio em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, unigênito do Pai,da substância do Pai; Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai.” Quantas vezes não se retirava à oração; “Logo depois de despedir as multidões, Jesus subiu sozinho ao monte, para rezar. Ao anoitecer, Jesus continuava aí sozinho.” (Mt 14,23) e no Pai Nosso, nos ensina o fundamento de toda uma vida unitiva e orante com Deus. “Percorrei todas as orações que se encontram nas Escrituras, e eu não creio que possais encontrar nelas algo que não esteja incluído na oração do Senhor (Pai Nosso)” (Sto. Agostinho). A oração do Pai Nosso, ensinada por Cristo, está fundamentada em 7 pedidos que convergem, todas as outras orações da Igreja, e o número 7 nas Escrituras indicam, perfeição e plenitude.
 “O Pai Nosso é a mais perfeita oração”. (Santo Tomás de Aquino) 
Os pedidos da oração do Pai Nosso; 1o que seu nome seja glorificado, 2o que o seu reino venha a nós, 3o que sua vontade seja feita, 4° nosso pão de cada dia, 5o o perdão dos nossos pecados, 6o a vitória sobre as tentações e o 7o que os livre de todo mal. Santa Teresa ligava os sete pedidos do Pai Nosso aos títulos de Deus dados por nosso amor. No primeiro pedido ela o honra especialmente como seu Pai; no segundo o adora como seu Rei; no terceiro o ama como seu Esposo, no quarto, onde se pede o pão de cada dia, reconhece Jesus como seu Pastor; no quinto como seu Redentor; no sexto como seu Medico; e no sétimo como seu Juiz. Podemos concluir que há diversos modos de meditarmos a oração ensinada por Cristo.
Todo o tempo pode ser dedicado a oração, podemos reserva um momento exclusivo, mas no ensinamento da vigilância: “Vigiem e rezem, para não caírem na tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.(Mt 26,41) e como os padres do deserto, entenderam que todo o tempo é tempo de oração, surgiu á devoção da oração bizantina, onde em todos os momentos se pronunciavam, jaculatórias de invocação ao Senhor, a mais comum era: – Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, tende piedade de mim, pecador! Ou a invocação constante do nome de Jesus (Deus salva). Pois nada nos impede de rezar em todo o tempo e lugar, é à busca desta reconciliação constante com Deus e o pedido do auxílio da sua graça sobre nós.
Quisera poder em todos os momentos de oração, estar dentro de catedrais, magníficas, ao som de belíssimos cantos gregorianos, sentindo o perfume do incenso e arrebatados, em profunda comunhão aos mistérios de nossa fé, mas nem sempre esta é nossa realidade e nem por isso podemos deixar de estarmos vigilantes e atentos. "Ao contrário, quando você rezar, entre no seu quarto, feche a porta, e reze ao seu Pai ocultamente; e o seu Pai, que vê o escondido, recompensará você."(Mt 26,41)
 Esmolas
 Este convite de reconciliação, assim como na via do jejum nos reconciliamos conosco, na oração com Deus e através da esmolas com o próximo, mas uma via unitiva e de comunhão. “Dê esmolas daquilo que você possui, e não seja mesquinho. Se você vê um pobre, não desvie o rosto, e Deus não afastará seu rosto de você.” (Tobias 4,7)
A esmola é uma via de união com Deus através da virtude da caridade, em ato concreto. “Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.” (1Cor 13,13)
Tanto as Sagradas Escrituras, o Magistério e a Tradição sempre ensinaram de forma eloqüente sobre o dar esmolas, como um ato de louvor a Deus e reconhecimento de que tudo recebemos Dele. Santo Ambrósio nos diz que a esmola é quase um segundo batismo e um sacrifício propiciatório que nos faz obter graça diante de Deus. Diga-me que remorso no juízo para aqueles que desprezam e caçoam dos pobres, quando Jesus Cristo lhes mostrar que foi a Ele mesmo que injuriaram! (Mt 25)
Por menor que seja a nossa oferta de esmolas aos pobres é a intenção que é válida, mas sem perdemos a coerência naquilo que fazemos, se alguém te pede uma esmola para almoçar e você dá 10 centavos, o que ela vai almoçar com esse valor? Isso não é esmola.  “Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará?” (Tg 2,15-16)
Vemos, que as atitudes de conversão, que o tempo de quaresma nos convida, de jejum, oração e esmolas, não são uma quarentena anual, mas atitudes de vida, de cristianismo, de catolicismo, não basta 40 dias por ano e sim uma vida constante, neste tempo, é preciso reconhecer o quanto nos falta e mudar!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A Santíssima Trindade e o dom de si

Invocamos a Santíssima Trindade cada vez que fazemos o sinal da cruz, que dizemos o Glória, o Credo. Estas são as primeiras palavras religiosas que são pronunciadas sobre nós ao batismo, estas serão as derradeiras que nos prepararão para passar à vida eterna.

Todavia, o dia da festa da Santíssima Trindade, instiga-nos a perguntar: porque este mistério de um só Deus em três pessoas, que parece-nos tão abstrato e enigmático, é o mais amado pelos contemplativos? 

Santo Agostinho e Santo Tomás respondem-nos: é por este ser o mistério supremo, que nos manifesta a vida intima de Deus em sua infinita fecundidade; é o objeto primordial da visão do céu, e se ele nos fosse plenamente desvendado, todos os demais mistérios, a Encarnação redentora, a Missão do Espírito Santo e a vida da Graça, seriam iluminados do alto e vistos em plena luz. Eles são, com efeito, irradiações da Verdade suprema e da Vida íntima de Deus três vezes santo.  

I. A fecundidade infinita da Vida Divina. 

Este mistério manifesta-nos primeiramente a fecundidade ilimitada de Deus Pai, que comunica a seu Filho a natureza divina e, por seu Filho, ao Espírito Santo. É o dom de Si, o mais perfeito que se possa conceber e a comunhão mais íntima. Ora, temos tanta necessidade de aprender este generoso dom de Si mesmo, sobretudo nas circunstancias dolorosas em que nos encontramos, na qual não encontramos o equilíbrio e a paz senão doando o que podemos: a verdade que liberta do erro e a bondade de coração que alivia os sofrimentos físicos ajudando-nos a sair da escravidão do pecado.
   
Se soubéssemos abrir os olhos, tudo nos convidaria ao dom de nós mesmos; na natureza, o sol dá seu calor e sua luz, a planta adulta dá a vida a uma outra, o animal a transmite aos seus filhotes e provê a sua subsistência; o artista que entreviu a beleza, quer exprimi-la; o pensador, que descobriu a verdade, quer divulgá-la; o apóstolo, que possui a santa paixão do bem, quer fazê-la nascer nos outros.
   
Em todos os graus da escala dos seres, vemos que o bem é por si difusivo, bonum est essentialiter diffusivum sui, diziam os antigos. E quanto mais elevada a sua ordem, mais se dá abundante e intimamente. Ele atrai para si, fortifica, enriquece, repousa.
    
Deus, que é o Soberano Bem, deve portanto ser soberanamente difusivo de Si, pois a bondade é essencialmente comunicativa.
        
Ele, que é o princípio eminente de todas as coisas, o centro de onde sai a vida da criação, contenta-se em dar o ser à pedra, a vida vegetativa à planta, a sensitiva ao animal, a inteligência ao homem? Contenta-se em dar e conservar aos justos a graça, participação de sua vida íntima?
        
Por que Deus não poderia comunicar além de uma participação de sua vida íntima, toda a sua vida, toda a sua natureza infinita? Por que isto seria impossível, se o bem é essencialmente comunicativo, e tanto mais abundante e intimamente quanto seja de ordem mais elevada? Quem pode indicar um limite para a difusão que o Soberano Bem pode fazer de Si mesmo?
        
Nossa razão e mesmo a inteligência natural do anjo mais excelso, deixadas a si, não poderiam responder com certeza a esta questão. Não poderiam provar a possibilidade da Trindade, menos ainda sua existência. Este mistério ultrapassa a esfera do demonstrável ou o alcance dos princípios de nossa razão.
        
Mas, a Revelação divina, já no Antigo Testamento, nos fez conhecer que Deus é Pai e que Ele diz, no instante único da imóvel eternidade: Filius meus es tu. Ego hodie genui te. Tu es Meu filho, hoje Te engendrei 1. O prólogo de São João nos diz: No inicio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus 2. Ninguém jamais viu a Deus, mas o Filho unigênito que está no seio do Pai é quem no-lo revelou 3. O próprio Filho prometeu-nos o Espírito Santo, no-lo enviou em Pentecostes, e fomos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
        
A Revelação divina fez-nos conhecer assim a infinita fecundidade da vida divina através do mistério da geração eterna do Verbo, Filho de Deus, e pelo mistério da processão do Espírito Santo.
        
Esta fecundidade ilimitada, nós a veremos um dia a descoberto, e podemos entrevê-la na penumbra da fé, em nós, recordando, com Santo Agostinho, que nossa alma conhece a verdade e se doa por amor repousando-se no bem verdadeiro. Se purificamos de toda imperfeição esta “concepção da verdade” e este “élan do amor”, suspeitamos de longe alguma coisa do mistério supremo.
        
Na indigência de nossa vida intelectual, concebemos lentamente nossas idéias que permanecem sempre muito imperfeitas, e que são múltiplas porque cada uma delas permanece mui limitada. A linguagem humana não carece, entretanto, de profundidade, se falamos de concepção intelectual. A concepção é a geração inicial; mas, em nosso espírito, a concepção intelectual carece de vigor e de fecundidade; ela não chega a ser uma verdadeira geração. Por que? Porque cada um de nossos pensamentos sucessivos não é senão um acidente, e acidente fugidio, uma modalidade de nosso espírito; é preciso dizer o mesmo de nossas idéias: não são pessoas vivas como o sujeito pensante. É por isso que estamos sós com nossas idéias, não podemos entretermo-nos com elas; devemos, então, buscar contato com outras inteligências humanas, das quais, às vezes, muitas incompreensões nos separam.
        
Em Deus, ao contrário, o ato do pensamento não poderia ser um acidente, uma modalidade de seu Ser espiritual e infinito. Deus é o Pensamento sempre em ato, sempre subsistente, como um clarão de gênio genial eternamente subsistente. E se, como diz a Revelação, ele concebe um Verbo interior, o concebe não por indigência mas por superabundância. E este Verbo interior não é tampouco um acidente, uma simples modalidade do espírito de Deus, mas é substancial, vivo, inteligente, como o espírito que o engendra. Aqui a concepção intelectual chega verdadeiramente a uma geração intelectual, que é inteiramente perfeita no instante único da imóvel eternidade. Esta geração eterna dá ao Verbo ser Luz de Luz, Deus de Deus, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro 4. Ele é o esplendor da glória do Pai e a figura de sua substância, como é dito na Epistola aos Hebreus 5.
        
Este Verbo eterno, precisamente porque é soberanamente perfeito, porque exprime adequadamente, tão luminosamente quanto possível, a natureza divina, é único. É a imagem viva do Pai, é uma Pessoa como o Pai que lhe comunica toda a vida divina, guardando para Si apenas sua relação de Paternidade. O Verbo é mesmo tão perfeito, que em Deus não é mais perfeito engendrar do que ser engendrado; o ser do Filho não é causado, mas comunicado, é o mesmo ser do Pai que Ele, o Filho, recebe em Sua plenitude infinita. Assim, segundo uma analogia muito distante, a do triangulo eqüilátero, o segundo ângulo construído não é menos perfeito que o primeiro, que lhe comunica toda a sua superfície, sem se comunicar ele mesmo.
        
Por pobre que seja em nós a concepção intelectual, ela nos permite, porém, entrever de longe, à luz da Revelação, a geração intelectual que está em Deus.
 
* * *
 
Porém, como nossa alma, após ter conhecido a verdade, doa-se através de um élan do amor que tende a repousar no bem verdadeiro, assim o Pai e o Filho, por seu mútuo amor, são o princípio do Espírito Santo, a quem comunicam toda a natureza divina, sem a dividir, nem multiplicá-la, tão perfeitamente que não é mais perfeito ser o princípio desta processão ou seu termo. Assim, ainda no caso do triângulo eqüilátero, o terceiro ângulo, que procede dos dois primeiros, recebe toda sua superfície e é-lhes perfeitamente igual.
        
A amizade inefável das duas primeiras pessoas tem pois um termo, assim como o pensamento do Pai possui um termo. Este termo do amor é substancial, assim como o Verbo, termo da concepção; ele é vivo, inteligente e amante como o Verbo, e como ele é uma Pessoa, espírito das duas primeiras, seu vínculo, o Espírito Santo: como o Pai pode entreter-se com Seu Verbo, ambos podem se entreterem com o Espírito de amor. Eis a fecundidade infinita da vida de Deus desde toda eternidade antes da criação. É a mais absoluta difusão de Si; e, como o dom do Pai a seu Filho é soberanamente perfeito, o Filho é tão perfeito quanto o Pai e, pela mesma razão, o Espírito Santo lhes é igual 6. 
 
II. A comunhão das Pessoas Divinas.
 
 
Esta soberana difusão é o princípio da mais íntima comunhão, exemplar eminente da comunhão eucarística e mais ainda da união das duas naturezas em Jesus Cristo.
        
Esta comunhão é a mais estreita união de pensamento e de amor que se possa conceber. Três pessoas vivendo da mesma verdade infinita, não por três atos de pensamento, mas por um só e mesmo ato de pensamento, enquanto tantas incompreensões nos separam freqüentemente uns dos outros, porque cada um não vai ao máximo si mesmo. Três pessoas plenamente abertas, cada uma às outras, e não se opondo senão por suas relações mútuas, relações estas que ao mesmo tempo as une.
        
E, então, enquanto que tão freqüentemente se opõe o egoísmo à perfeita união das almas aqui embaixo, em Deus são três pessoas, que vivem do mesmo Bem supremo e infinito por um só e mesmo ato de amor, sem o menor interesse para Si. O Pai dá a seu Filho toda a sua natureza, o Pai e o Filho comunicam-na ao Espírito Santo. O Pai não se distingue de Seu filho senão por sua relação de paternidade, o Filho não se distingue do Pai senão por sua relação de filiação, e isto mesmo que os distingue, os une  relacionando-os uns aos outros.
        
O Espírito Santo não se distingue das duas primeiras pessoas, a não ser porque procede delas. Fora destas oposições de relações mútuas, tudo lhes é comum e indivisível. Esta é a mais íntima comunhão: a consubstancialidade, que acarreta a unidade de pensamento e de amor.
        
Temos disso um vestígio longínquo, porém ainda real, no símbolo do triangulo eqüilátero que não é suficientemente conhecido. Os três ângulos, embora possuindo a mesma superfície, são realmente distintos uns dos outros; eles são iguais; são essencialmente relativos uns aos outros e qualquer um dos três é tão grande quanto os três reunidos. Entre eles há uma ordem de origem, mas não prioridade de causalidade; do primeiro traçado procedem os outros sem que sejam causados por ele; ele lhes comunica sua própria superfície já existente, e eles não são em nada menos perfeitos que aquele. 
 
III. Este Mistério supremo esclarece do Alto todos os demais.
 
Se víssemos a descoberto a Santíssima Trindade, todos os demais mistérios apareceriam em plena luz. Veríamos a pessoa do Verbo feito carne que possui intimamente a alma e o corpo que ele tomou para nos salvar; ela os possui na unidade de um só e mesmo ser, de um só e mesmo eu que é, sem confusão das duas naturezas, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.
        
Veríamos derivar da pessoa do Verbo a plenitude da graça criada, que faz do Cristo a cabeça da Igreja, a plenitude de luz, de glória, que lhe dá o mais alto grau de visão beatifica, a plenitude de caridade que se exprimiu no valor infinito de seus atos teândricos meritórios e satisfatórios e que se expande  ainda por sua intercessão sempre atual e na distribuição de todas as graças que nos são concedidas.
        
Se contemplássemos a descoberto a Santíssima Trindade, veríamos a união admirável das duas naturezas em Cristo, união substancial, hipostática, principio da união de suas duas inteligências e suas duas vontades, pois sua inteligência divina e sua inteligência humana se vêem uma à outra da maneira mais imediata e porque sua vontade divina e sua vontade humana estreitam-se na mais perfeita e indissolúvel conformidade.
        
Se víssemos o mistério supremo desvendado, veríamos em conseqüência qual é a missão invisível do Espírito Santo nas almas dos justos, como Ele os santifica e qual o valor das inspirações que lhes concede por seus sete dons, para conduzi-los segura e prontamente para a vida do céu.
        
O mistério da graça esclarecer-se-ia do mesmo modo. Nossa filiação adotiva nos apareceria como uma similitude da filiação eterna do Verbo. Veríamos então o sentido pleno e todo o alcance da palavra de São Paulo: Deus (nos) predestinou a ser conformes à imagem de seu Filho, a fim de que seu Filho seja o primogênito de um grande número de irmãos 7. Deus Pai tem um Filho único, a quem comunicou toda sua a natureza, para que ele seja “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”, e quis ter filhos adotivos, aos quais deu uma participação de sua natureza: a graça santificante, gérmen que se desenvolverá um dia em vida eterna, em visão imediata da essência divina e numa caridade que nada poderá mais fazer-nos perder, nem diminuir no que quer que seja.
        
Então, em cada alma bem-aventurada, Deus Pai continuará no instante único da imóvel eternidade, a engendrar seu Verbo e com Ele fazer proceder o Amor pessoal, “esta torrente de chamas espirituais” diz Bossuet, que os une na mais íntima comunhão 8.
        
Quanto mais nossa alma cresce na vida divina da graça, mais ela é uma imagem viva da Santíssima Trindade. No começo de nossa existência, o egoísmo faz que nós pensemos sobretudo em nós mesmos e que nos amemos referindo tudo a nós; porém, se somos dóceis às inspirações do Alto, virá um dia em que pensaremos sobretudo, não em nós mesmos mas em Deus e em que, a propósito de todas as coisas agradáveis ou desagradáveis, nós o amaremos mais que a nós e desejaremos levar constantemente as almas para Ele.
        
Finalmente nossa inteligência é convidada a repousar, como a de Deus, em Seu Verbo eterno, e nossa vontade no Amor pessoal que não cessa de atrair-nos a Ele, em meio às vicissitudes do exílio.
        
Mas para tal é necessário retornar sempre ao dom de Si do qual falávamos no começo. Por ele a alma se supera. A alma do viator, do viajante para a eternidade, não encontra seu equilíbrio e paz senão avançando, quer dizer, subindo em direção a Deus. Estando em viagem para Ele, não podemos ficar estacionados; se a vida da alma não ascende, ela descende; esta é uma lei para ela ascender como uma chama viva, até que ela regresse ao seu princípio, até que retorne “ao seio do Pai” de onde ela veio. A alegria de ser filho de Deus faz assim pressentir aquela que teremos ao vermos a descoberto o mistério supremo, nesse instante que não passará mais, o da eternidade.
 
Roma, Angélico.
 
(Artigo publicado em La Vie Spirituelen° 265, maio de 1942. Tradução: PERMANÊNCIA)
 
 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Salve Rainha e Mãe de Misericórdia


Seguindo o pensamento de Santo Afonso, afirmamos que Maria é Rainha: O fundamento teológico para esta afirmação baseia-se na vontade salvífica de Deus que quis salvar o mundo por meio de seu filho, em forma humana. A encarnação de Jesus, no ventre de Maria, é a fonte de todos os privilégios recebidos por Maria. Ninguém duvida que Jesus-Deus em forma humana- é o Senhor e o Rei do Universo. “Tudo que existe foi feito por Ele, tanto as coisas celestes como as terrestres, as visíveis como as invisíveis... Ele existe antes de todas as coisas e tudo nele subsiste”. (Cl 1,16-17)
Se Cristo é o Rei e Senhor, com justiça e propriedade, pode-se afirmar que a Mãe deve chamar-se Rainha. Se o Pai Eterno quis colocar todos os tesouros de vida e salvação, à disposição de seu Filho, em forma humana, podemos acreditar que a Mãe bendita desse filho, participe também das honras e dignidades de seu Filho. Se Cristo é Rei (Jo 18,37) – a Mãe recebe o título e a honra de ser a Rainha Mãe.

Mas, a realeza de Maria não deve ser confundida com a realeza dos príncipes e rainhas deste mundo. A realeza de Maria é a manifestação feminina da realeza de Jesus. “O Filho do Homem veio para servir, e dar a vida em resgate de muitos” (Mc 10,45). Maria, totalmente sintonizada com o pensamento de seu filho, afirmou: “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc 1,38)

Maria é Rainha de Misericórdia, Rainha cheia de doçura e misericórdia, sempre pronta para ajudar e fazer o bem para seus filhos mais necessitados: Maria manifesta para nós, o rosto misericordioso de Deus. Quando a Virgem Santíssima concebeu o Verbo Divino e o deu à luz, obteve, por assim dizer, a metade do reino de Deus: tornou-se a Rainha de Misericórdia, e Jesus ficou sendo o Rei da Justiça. Há um mandamento divino, prescrevendo que os filhos devem obedecer e honrar seu pai e sua mãe. (Dt.5,16). Maria é realmente a mãe biológica do Filho de Deus, em forma humana. Por isso, o mandamento vale também para Jesus. E Ele, durante sua vida neste mundo, obedeceu a Maria e a José: “Jesus desceu com seus pais para Nazaré, e permaneceu obediente a eles”(Lc 2,51).

A rainha Ester foi figura de Maria: Quando viu que seu povo ia ser exterminado, moveu-se de compaixão e arriscando a própria vida, apresentou-se perante o rei e lhe fez o pedido: “Se o Senhor quer fazer-me um favor, se lhe parecer bem, o meu pedido é este: que me conceda a vida, e o meu desejo é a vida do meu povo”(Est. 7,3). O coração da mãe é mais sensível com a dor e necessidade de seus filhos.

Maria sentiu em seu coração a dor de seu filho, oferecendo-se como vítima para a Salvação do mundo. E aos pés da Cruz, recebeu a maravilhosa missão de ser a Mãe da humanidade, que estava sendo remida pela morte cruel de seu filho. Se o preço foi tão grande para salvar a todos, seu coração misericordioso de mãe, não quer perder nenhum dos filhos que recebeu junto à cruz.

Os títulos e louvores que dirigimos a Nossa Senhora, em nada aumentam sua felicidade e sua glória, mas são um incentivo e um estimulo poderoso, para aumentar a nossa confiança e o nosso amor à nossa Rainha e Mãe de Misericórdia:

Salve Rainha e Mãe de Misericórdia!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Salve Rainha


A oração Salve rainha é uma súplica de salvação. Bradamos significa grito e degredados significa exilados. A VÓS BRADAMOS OS DEGREDADOS FILHOS DE EVA Bradamos sim, porque pedimos perdão dos nossos crimes cometidos a Deus, que somos nós os degredados (exilados do paraíso) que vivemos no mundo do degredo e somos filhos de Eva (que cometeu p pecado).

"Como pobres filhos da infortunada Eva, somos réus da mesma culpa e condenados à mesma pena. Andamos errando por este vale de lágrimas, exilados de nossa pátria, chorando por tantas dores que nos afligem no corpo e no espírito. Feliz, porém, aquele que por entre tais misérias se dirige muitas vezes à consoladora do mundo, ao refúgio dos pecadores, à grande Mãe de Deus. Feliz quem a invoca e implora com devoção! Bem aventurado, diz Maria, quem ouve meus conselhos e permanece constantemente à porta de minha misericórdia, invocando minha intercessão e meu auxílio.

A Santa Igreja bem a nós, seus filhos, ensina com quanto zelo e quanta confiança devemos recorrer sem cessar a esta nossa amorosa protetora. Pois é ordem sua que se lhe tribute um culto particular. Durante o ano celebra muitas festas em sua honra e prescreve que um dia da semana lhe seja especialmente dedicado. Exige também que, diariamente no Ofício Divino, todos os eclesiásticos e religiosos a invoquem em nome do povo cristão, e que três vezes ao dia, os fiéis a saúdem ao toque das Ave-Marias." (Santo Afonso - Glórias de Maria, página 113).

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Jesus teve irmão ?


Para entrar nesse assunto é bom sempre lembrar que Jesus foi o primogênito e o unigênito da família de Nazaré. Quanto aos supostos irmãos de Jesus a Bíblia não os mencionam como filhos de Maria. Somente o Mestre é chamado filho de Maria, com o artigo no original (Marcos 6,3).

Antes de aprofundar este tema, é bom lembrar 05 pontos fundamentais:
1 - Se Jesus teve irmãos, porque Maria é chamada Mãe de Jesus? e nunca mãe do irmãos de Jesus?
2 - A família de Nazaré aparece apenas com 03 pessoas. Jesus, Maria e José.
3 - Porque seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa e Jesus nunca aparece ao lado dos supostos irmãos?
4 - Porque Jesus entrega sua mãe aos cuidados de João o Evangelista, e não aos supostos irmãos?
5 - Porque esses supostos irmãos não aparecem na crucificação de Jesus?

A Bíblia deixa bem claro, quando se trata de um filho, e quem são os pais. Para entender melhor citemos alguns textos:

No Antigo Testamento

Adão conheceu outra vez sua mulher, e esta deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Set, dizendo, Deus deu-me uma posteridade para substituir Abel, que Caim matou. (Gênese 4, 25)
Então falou Deus a Noé, sai da arca, com tua mulher, teus filhos e as mulheres de teus filhos (Gênese 8, 15-16) Confira mais em: (Gênese 5,1-32) (Gênese 10, 1-32) (Gênese 11, 10-32) onde se fala de filhos e filhas.

No Novo Testamento

Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados (Mateus 1, 21).

Senhor, tem piedade de meu filho, porque é lunático e sofre muito: ora cai no fogo, ora cai na água... (Mateus 17,15).

Respondeu um homem dentre a multidão: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo (Marcos 9,17).

Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade (Lucas 7,12).

Porque tinha uma filha única, de uns doze anos, que estava para morrer. Jesus dirigiu-se para lá, comprimido pelo povo (Lucas 8,42).

Em centenas e centenas de textos Bíblicos, fica muito claro, onde se fala de filhos e de pais, e os protestantes afirmam por paus e pedras, que Jesus teve irmãos. Para isso se baseiam em (Marcos 6,3) 

Por acaso não é ele o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão?
Explicação: A palavra irmão, aqui tem o significado de primo ou parente próximo, pois a língua hebraica não possui a palavra primo.

- Quem eram Tiago, José, Judas e Simão?
Explicação: A mãe de Jesus tinha uma parente que se chamava também Maria, casada com Cleófas.
- De fato lemos na Bíblia: Perto da cruz de Jesus, permanecia de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas. (João 19,25)
- Tiago e José eram filhos de Cléofas com a parente de Nossa Senhora, que se chamava Maria.
- logicamente Judas era irmão de Tiago. De fato lemos: Judas, irmão de Tiago (Judas 1 e Lucas 6,16) todos eles eram primos de Jesus, ou parentes próximos, como Simão pelo mesmo motivo.
Há muitos exemplos na Bíblia em que os parentes próximos são chamados de irmãos: Disse Abraão a Lot: Peço-te que não haja rixas, pois somos irmãos. (Gênesis 13,8) - Abraão não era irmão de Lot, mas tio.
- Eleazar morreu e não teve filhos, mas filhas e estas se casaram com os filhos de Cis, seus irmãos. (1 Crônicas 23,22) - As filhas de Eleazar eram primas dos filhos de Cis.

- Ver também: (Êxodo 2,11) (Mateus 23,8) (Gênesis 9,6) (Mateus 5,21-22) (1 Coríntios 15,6).

Respondendo objeções

1ª Objeção: os Irmãos de Jesus. É assim que a Bíblia se refere nominalmente a quatro pessoas: Tiago, José, Judas e Simão (Marcos 6,3). Eles seriam, irmãos carnais de Jesus, concluem os protestantes.
No entanto, nada mais falso, pois três desses Irmãos de Jesus, têm seus pais nomeados na Bíblia. Vejamos: o 1º é Tiago. É ele, segundo (Gálatas 1,19), Tiago Apóstolo, o Menor (Marcos 15,40), cujo pai é Alfeu (Mateus 10,3); o 2º, José, é irmão carnal de Tiago, pois ambos são filhos de uma das três Marias que estiveram ao pé da Cruz (Mateus 27,56), e cujo irmão pai é também Alfeu; o 3º é Judas, o Tadeu, que também é irmão de Tiago (Judas 1,1). Seu pai é também Alfeu. São Lucas o chama Judas de Tiago ou seu irmão (Lucas 6,16).

O último da lista é Simão, cujos pais não têm os nomes expresso na Bíblia. Mas o historiador Hegezipo (sec. II), informa que ele é filho de Cléofas, esposo de Maria, irmã da Mãe de Jesus (João 19,25). Ele é, pois, primo de Jesus. E se Cléofas e Alfeu são nomes em hebraico e aramaico da mesma pessoa, como pensam muitos, os quatro chamados irmãos de Jesus são entre si, irmãos carnais. Em qualquer hipótese eles são primos ou parentes de Jesus.

De fato, é muito comum na Bíblia, parentes próximos serem chamados de irmãos. É só conferir (Gênesis 13,8) comparado com (Gênesis 12,5 e 11,28-31) (Gênesis 29,13 e 15) (Levítico 10,4) (1 Crônicas 23,22) etc.

2ª Objeção: ela é tirada do título de primogênito atribuído a Jesus em Lucas 2,7. Daí concluem os protestantes que Maria teve outros filhos além de Jesus.

Isso revela grande ignorância, pois primogênito é termo jurídico da Bíblia que tem significado bem determinado: é o primeiro filho, quer venha outro, quer não. Não se esperava por outro filho para que o 1º fosse tido e tratado como primogênito a vida toda.

Confirma isto o túmulo, recém-descoberto, de uma judia do 1º século, com a inscrição: Aqui jaz Arsinoé, morta ao dar à luz o seu primogênito.

3ª Objeção: é tirada de (Mateus 1,25), onde se lê: E José não a conheceu até que ela deu à luz. . . os protestantes concluem que a conheceu depois.

Mais uma vez outra falsa conclusão. Parece desconhecerem que a expressão até que é, na Bíblia, um hebrismo que significa Sem que, invertendo-se os termos da frase. Significa, então, que Maria deu á luz sem que José A tivesse conhecido, e nada mais.

São incontáveis os exemplos disso na Bíblia. Eis apenas um: O coração do justo está firme e não temerá até que veja confundidos os seus inimigos (Salmos 111,8). Ora, se não temeu antes, não temerá depois. O sentido é: os inimigos serão confundidos sem que o coração do justo tema. Assim Mateus quis apenas afirmar que Maria concebeu sem participação de José. Conferir na Bíblia outros casos desse modo de falar: (Deuteronômio 7,24) (Sabedoria 10,14) (Salmos 56,2 71,7; 93,12-13; 109,1) (Isaias 22,14) (Mateus 5,18 22,44) (Hebreus 1,13; 10,12-13; etc.)

4ª e última objeção: é tirada de (Mt 1,18) onde se lê que Maria concebeu do Espírito Santo antes que coabitassem. Os protestantes concluem erradamente que conheceu depois.

Isso porque eles não se importam com o contexto literário e histórico da Bíblia. E tomam, no caso, coabitar no sentido de relação carnal, quando, pelo contexto, e pelo modo como os judeus se casavam, só cabe o sentido de morar juntos.

De fato, o casamento dos judeus era feito em duas etapas: a 1ª se realizava na casa dos pais da moça em cerimônia simples. Marcavam-se então as núpcias festivas - era a segunda etapa - na qual a esposa era levada para a casa do esposo. Era esta a coabitação (morar juntos), de que fala o evangelista no citado texto. Foi entre essas duas cerimônias que se deu o mistério da Encarnação.

Os PROTESTANTES mentindo, perseguindo e seduzindo os católicos, dizem: “Jesus Cristo teve irmãos”.

Resposta aos PROTESTANTES:

Dá alguma vez o Evangelho, os nomes desses irmãos de Jesus para que possamos identificá-los?

Sim, dá. 

Sabe-se o nome de pelo menos QUATRO: Tiago, José, Judas e Simão: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria, IRMÃO de TIAGO, de JOSÉ, de JUDAS e de SIMÃO? Não vivem aqui entre nós também suas IRMÃS?” (Mc 6,3; Mt 13,55-56).

Pois bem, este TIAGO que encabeça a lista é um Apóstolo, pois diz São Paulo na Epístola aos Gálatas: “E dos outros Apóstolos, não vi nenhum, senão a Tiago, IRMÃO DO SENHOR” (Gl 1,19).
Quer dizer então que, segundo a opinião desses protestantes, este Tiago Apóstolo era filho de Maria, Mãe de Jesus: filho de Maria e de José.

Vamos provar que é pura mentira, engano e falta de conhecimento da Sagrada Escritura.

Temos DOIS Apóstolos com o nome de Tiago: Tiago Maior e Tiago Menor. Vamos ver se algum deles era filho de José com Maria.

Em Lc 5, 10 diz: “… e também de Tiago e João, filhos de Zebedeu…”

Já descobrimos que o Tiago Maior era irmão de João e ambos, filhos, NÃO de José, mas SIM, de Zebedeu. A Bíblia mostra claro que a mãe dos filhos de Zebedeu NÃO é Maria Santíssima. Conferir em Mateus 20, 20-23: “Então a mãe dos filhos de Zebedeu, juntamente com os seus filhos, dirigiu-se a Ele”. Está claro que NÃO é Maria, a Mãe de Jesus. A Bíblia não diz “a mãe dos filhos de José, mas sim, os filhos de Zebedeu”.

Tiago, na sua Carta, deixa claro que NÃO é irmão de Jesus, mas servo: “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo…” (Tg 1,1).

Em Mt 10,3 diz: “Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu”. São Tiago Menor, que era irmão de Judas, era filho de Alfeu e NÃO de José.

“Não é este o carpinteiro, filho de Maria, IRMÃO de TIAGO, de JOSÉ, de JUDAS e de SIMÃO? Não vivem aqui entre nós também suas IRMÃS?” (Mc 6, 3).
TIAGO, JOSÉ, JUDAS e SIMÃO.

Já vimos que o TIAGO MAIOR era filho de Zebedeu (Mt 10,2); e que TIAGO MENOR era filho de Alfeu (Mt, 10, 3). Portanto, NENHUM dos dois é filho de José com Maria, a Mãe de Jesus.

Agora vamos descobrir quem eram JOSÉ, JUDAS e SIMÃO que na Bíblia são chamados IRMÃOS de JESUS. Quero lembrar que a palavra IRMÃO, aqui, equivale a primo.
 
De fato, na língua hebraica não existe a palavra PRIMO. Há muitos exemplos na Bíblia onde primos e parentes próximos são chamados de irmãos, como já foi explicado.
 
Nossa Senhora tinha uma irmã que também se chamava Maria. Era casada com Cleofas ou Alfeu. De fato, lemos assim na Bíblia: “Perto da cruz de Jesus, permanecia de pé, sua Mãe, a IRMÃ DE SUA MÃE, MARIA, MULHER DE CLEOFAS, E MARIA MADALENA” (Jo 19,25).

A única dificuldade, agora sem importância, que pode fazer o protestante, é que Tiago Menor é filho de Alfeu, e sua mãe é apresentada como mulher de Cleofas.

Temos que observar o seguinte: 

1º – O texto original não diz: Mulher de Cleofas, mas diz simplesmente: “a irmã de sua Mãe, Maria, a do Cleofas” (texto grego de Jo 19,25); podia chamar-se Maria, a do Cleofas, por causa do pai ou por outro motivo. 

2º - Pode ser que o próprio Alfeu seja o mesmo Cleofas. É muito comum nas Escrituras (Bíblia) uma pessoa ser conhecida por dois nomes diversos: O sogro de Moisés é chamado Raguel (Ex 2, 18-21), e logo depois é chamado Jetro (Ex 3,1). No Novo Testamento, o mesmo Mateus é chamado Levi (Mt 9,9; Mc 2,14). O mesmo que é chamado José é chamado Barsabás (Atos 1,23).

Seja Alfeu o mesmo Cleofas ou não, isto não importa. O fato é que, Maria de Cleofas é irmã de Maria, Mãe de Jesus, e é ao mesmo tempo mãe de Tiago e de José, que são chamados IRMÃOS do Senhor.

JOSÉ era filho da irmã de Nossa Senhora, então, sobrinho de Nossa Senhora e primo de Jesus. De fato: “Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, Mãe de Tiago e de José” (Mt 27, 56; Mc 15,40). Descobrimos que esse José NÃO é IRMÃO de JESUS, mas primo do Senhor.

JUDAS era irmão de Tiago e de José, filhos da irmã de Nossa Senhora: “JUDAS, IRMÃO de TIAGO” (Lc 6,16). E também: “JUDAS, servo de Jesus Cristo e IRMÃO de TIAGO” (Judas 1). Judas escreve dizendo ser SERVO de Jesus Cristo e NÃO IRMÃO.

SIMÃO, pelo mesmo motivo, era irmão dos parentes.

Queremos chamar a atenção do leitor para o seguinte: esses hereges que negam a virgindade perpétua de Maria Santíssima e dizem que IRMÃOS de Jesus, quer dizer FILHOS de MARIA, atribuem à Santíssima Virgem uma porção de filhos.

Além de TIAGO, JOSÉ, JUDAS e SIMÃO, estão as IRMÃS de JESUS, sobre as quais São Mateus apresenta dizendo: “E suas irmãs não vivem elas TODAS entre nós?” (Mt 13, 56). Ora, para se dizer assim, TODAS, é preciso que sejam de TRÊS para cima.

TIAGO, JOSÉ, JUDAS e SIMÃO eram Apóstolos. Mas São João no seu Evangelho já fala de IRMÃOS que são hostis (provocantes, contrários) a Jesus e lhe dizem: “Sai daqui e vai para a Judéia, para que também teus discípulos vejam as obras que tu fazes” (Jo 7, 3). Ali, na Galiléia, o ambiente não estava de todo favorável ao Divino Mestre, porque “nem ainda seus IRMÃOS criam n’Ele” (Jo 7,5). É, portanto, mais outra “tropa” de irmãos a engrossar a fileira dos filhos de Maria…

Se colocarmos na PONTA da caneta daria mais de VINTE FILHOS e FILHAS (Tiago, José, Judas, Simão... as filhas – umas três – depois os “irmãos” hostis... e ainda vários “irmãos” em At 1, 14, que depois de mencionar os Apóstolos, cita outros irmãos. Se Tiago, José, Judas e Simão, segundo os protestantes, são "irmãos" de Jesus; por que em At 1, 14 os mesmos são mencionados separado dos outros irmãos?).

É bom notar que os “IRMÃOS de JESUS” nunca são chamados “FILHOS de MARIA”, mas somente Jesus: “FILHO de MARIA” (Mc 6,3).

E, no entanto, o Evangelho descrevendo a vida da família em Nazaré, relatando a ida de Jesus ao templo de Jerusalém, quando o Menino Deus já tinha doze anos (Lc 2,42), não faz a mínima referência a nenhum irmão de Jesus. Se Maria teve assim tantos filhos, nessa ocasião já deveria ter no mínimo DEZ.

Se por acaso, depois dessa peregrinação, Maria tivesse gerado outros filhos, o mais velho desses “irmãos de Jesus” teria então, no início da vida pública, cerca de DEZOITO anos: “Ao iniciar o ministério, Jesus tinha mais ou menos 30 anos” (Lc 3,23); ao passo que os outros seriam mais jovens ainda. Ora, o que os Evangelhos narram a respeito dos irmãos do Senhor, não permite que se atribua a estes uma idade tão juvenil ou adolescente. Com efeito, a atitude autoritária ou tutelar dos “irmãos” para com Jesus, descrita em Marcos 3, 21: “E quando os seus, tomaram conhecimento disso, saíram para detê-lo, porque diziam: enlouqueceu” (Jo 7,2-5). No Oriente, não teria cabimento nem verossimilhança se esses irmãos fossem mais jovens; sim, a mentalidade judaica atribui aos irmãos mais moços um comportamento de reverência para com o primogênito, como se deduz, por exemplo, das palavras de Isaac a Jacó: “Sê o senhor dos teus irmãos, diante de ti se curvem os filhos de tua mãe!” (Gn 27,29). Os homens autoritários que se dirigem a Jesus em Mc 3,21 e Jo 7,2-5, deveriam ser mais velhos do que o Senhor; por conseguinte, não eram filhos de Maria: “… como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,26-38).

Em Jo 19, 26ss diz que na hora da morte, é a João Evangelista, filho de Zebedeu e de Salomé, que Jesus encarrega de ficar tomando conta de sua Mãe Santíssima: “Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desta hora em diante o discípulo a recebeu em sua casa”.

Se Maria tivesse tantos filhos e filhas, como se explica que ela tenha sido entregue aos cuidados de João e que este a tenha levado para sua casa?

É inqualificável esta audácia, esta temeridade com que um protestante lê a Bíblia assim tão às pressas e tão descuidadamente, e sai depois, sem o menor escrúpulo, a blasfemar daquilo que ignora: “Com efeito, há muitos insubmissos, e enganadores… pois estão pervertendo famílias inteiras…” (Tt 1,10-11).